Obscurantismo de Bolsonaro no Itamaraty remete ao lacerdismo, diz Mello Franco

Jornalista Bernardo Mello Franco destaca em sua coluna no jornal O Globo que o Itamaraty, hoje comandado por Ernesto Araújo, já havia sido alvo do obscurantismo antes mesmo da chegada do atual chanceler ao cargo. “Na época da Guerra Fria, outro surto ideológico levou à perseguição de diplomatas. Seu alvo mais ilustre foi o poeta João Cabral de Melo Neto”

(Foto: Reprodução | ABr)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 - O jornalista Bernardo Mello Franco destaca em sua coluna no jornal O Globo que o Itamaraty, hoje comandado por Ernesto Araújo, já havia sido alvo do obscurantismo antes mesmo da chegada do atual chanceler. “Na época da Guerra Fria, outro surto ideológico levou à perseguição de diplomatas. Seu alvo mais ilustre foi o poeta João Cabral de Melo Neto”, ressalta. João Cabral faria 100 anos nesta quinta-feira (9)

“A caça às bruxas foi iniciada por Carlos Lacerda, adversário feroz do governo Getúlio Vargas. Em junho de 1952, ele bradou na “Tribuna da Imprensa” contra a existência de uma “célula comunista” no serviço diplomático”, relembra Mello Franco. ‘Sem provas, denunciou um complô para “colocar segredos os militares brasileiros nas mãos de Moscou”’, completa. 

“Apesar da fragilidade das acusações, Getúlio cedeu à campanha. Em março de 1953, puniu o escritor com o afastamento não remunerado. João Cabral teve que voltar ao Brasil. “Ele ficou muito abatido com a perseguição”, observa o jornalista. 

“Em setembro de 1954, oito dias após o suicídio do presidente, o Supremo Tribunal Federal julgou o caso de João Cabral. “Nenhum ato praticou o impetrante suscetível de iniciar a execução do crime que se lhe atribui”, constatou o ministro Luiz Gallotti. Por unanimidade, a Corte considerou que a punição foi ilegal e determinou a reintegração do diplomata”. 

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247