OCDE: Brasil gasta pouco com ensino primário, mas tem investimento 'europeu' em universidade

O Brasil gasta o triplo com estudantes universitários em relação aos alunos do ensino fundamental e médio; as conclusões são do estudo Um olhar sobre a educação, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE; de acordo com o levantamento, o Brasil gasta US$ 3800 com cada aluno do ensino básico e US$ 11.700 com alunos universitários a cada ano

MPs fiscalizam escolas públicas do país para averiguar as instalações e o atendimento às crianças. Na foto, a Escola Municipal Professor Helena Lopes Abranches, em Gardênia Azul (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
MPs fiscalizam escolas públicas do país para averiguar as instalações e o atendimento às crianças. Na foto, a Escola Municipal Professor Helena Lopes Abranches, em Gardênia Azul (Tânia Rêgo/Agência Brasil) (Foto: Charles Nisz)

247 - O Brasil é um dos países que menos gastam com alunos do ensino básico, mas as despesas com estudantes universitários se igualam às de países europeus, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil gasta US$ 3.800/ano (R$ 11,7 mil) por aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental (até a 5ª série), informa o documento. A cifra representa menos da metade da quantia média desembolsada por ano com cada estudante nessa fase escolar pelos países da OCDE, segundo matéria da Folha de S. Paulo.

Nos anos finais do ensino fundamental e no médio a situação se mantém. O Brasil gasta os mesmos US$ 3.800/ano por aluno desses ciclos e também está entre os últimos na lista. A média nos países da OCDE nos últimos anos do ensino fundamental e no médio é de US$ 10,5 mil por aluno, 176% a mais do que o Brasil.

No ensino superior, a situação é diferente. A quantia passa para quase US$ 11,7 mil por aluno ao ano, (R$ 36 mil), mais do que o triplo das despesas no ensino fundamental e médio.Com esse montante, o Brasil se aproxima de alguns países europeus, como Portugal, Estônia e Espanha, com despesas, respectivamente, por aluno universitário, de US$ 11,8 mil, US$ 12,3 mil e US$ 12,5 mil, e até ultrapassa países como a Itália (US$ 11,5 mil), República Checa (US$ 10,5 mil) ou Polônia (U$ 9,7 mil). A média nos países da OCDE é de US$ 16,1 mil. 

Os gastos no Brasil com alunos universitários também superam os da Coreia do Sul, de U$ 9.600. Os asiáticos gastam US$ 9,7 mil no ensino fundamental e está entre os primeiros do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) da OCDE. O teste mede conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos nas áreas de ciências, matemáticas e compreensão escrita. Já o Brasil está entre os últimos no teste do PISA e apenas 17% dos jovens entre 25 e 34 anos têm diploma universitário, um dos índices mais baixos entre os países do estudo.

Os gastos com educação totalizaram 4,9% do PIB brasileiro (último dado disponível no estudo). A média dos países da OCDE é de 5,2% do PIB. Ao mesmo tempo, a OCDE vem afirmando que é preciso aumentar os gastos por aluno do ensino fundamental e médio, considerados bem abaixo do montante considerado adequado pela organização.

Apesar da melhora no nível de investimentos em educação no Brasil, o Brasil continua entre os últimos do ranking dos testes de avaliação do PISA. Na avaliação da organização, isso ocorre porque houve maior acesso à educação no país, com a inclusão no sistema de ensino de alunos desfavorecidos e com atrasos de aprendizagem, o que acaba puxando o desempenho geral dos estudantes brasileiros para baixo.

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