Os canalhas não arruinarão a nossa lavoura

Oligarcas, coronéis, hipócritas, conservadores, reacionários vocês já morreram! Essa nação já não vos pertence! Esse novo país que ora se alevanta e se agiganta não lhes pertence!

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Os “donos do Brasil” estão nus! 

Isso é o que parece nos gritar as manchetes da revista Isto É nessas últimas semanas. A mais recente foi: “A conta secreta do propinoduto – Documentos vindos da Suíça revelam que conta conhecida como “Marília”, aberta no Multi Commercial Bank, em Genebra, movimentou somas milionárias para subornar homens públicos e conseguir vantagens para as empresas Siemens e Alstom nos governos do PSDB”.

E agora, José [Serra]? E agora, Geraldo Alckmin? E agora, FHC? E agora, Merval Pereira? E agora, Sardenberg? E agora, Joaquim Barbosa?  

E agora, todos os hipócritas e falsos moralistas desse país?

Os supostos e pretensos “donos do Brasil” [bem como seus áulicos e sabujos] estão nus!

Isso é o que parece nos gritar, todos os dias, a “criança” em sua ingenuidade e pureza. Não propriamente a criança da famosa e tão conhecida fábula que, finalmente, num arroubo de “criancice”, teve a “coragem” e o “desprendimento” de dizer que o rei estava nu. Não exatamente essa criança da fábula da roupa nova do rei, mas essa outra “criança”, que surge a cada nova manhã: o novo Brasil. 

Esse novo país que brota a despeito dos seus líderes e governantes de um passado de ruínas, que, tal qual fantasmas, insistem em nos assombrar e amedrontar com suas sombras e semblantes crispados, medonhos, carrancudos. Mas já não temos o medo a nos subjugar. 

Quem vai dizer aos mortos o seu derradeiro caminho, para que não nos assombrem mais? Quem vai lhes dar a definitiva e cristalina mensagem: de que já morreram; que já “passaram”; que seu tempo já passou? 

Oligarcas, coronéis, hipócritas, conservadores, reacionários vocês já morreram! Essa nação já não vos pertence! Esse novo país que ora se alevanta e se agiganta não lhes pertence! Pertence ao povo brasileiro, protagonista de seu destino.

Esse novo país que construímos com a argamassa da coragem e da vontade, desde garotos, guiados pelo farol da utopia, movidos pelo “tesão” libertário e libertador. 

Essa argamassa, esse nosso artesanato, que moldamos com arte e engenho, foi ungida com a liga do sangue, suores e lágrimas derramados por nossos companheiros na luta contra a ditadura. Essa liga, ocioso duvidar, tem a força do mais duro aço. Não se rompe fácil. Não se romperá assim à toa.

Para que a vida vingasse, para que a luz sobrepujasse as sombras muitos dos nossos tiveram que morrer. Não mais!

Com o sangue, suor, lágrimas e o destemor dos que construíram tijolo a tijolo, num desenho lógico, mas poético, um novo sindicalismo de lutas e uma nova história para além das classes dominantes nesse país. Isso é o que nos conta a nossa verdadeira história. Não a história contada pelos “jornalistas” a serviço dos donos do poder e do “jornalismo” que serve ao mercado e não à cidadania.

A nossa lavoura é feita de sangue, suor e lágrimas. 

E as flores que dela irão brotar, estejamos certos, não mais servirão para adornar os salões da Casa-Grande ou os grandes bailes de máscaras e convescotes de uma elite promíscua, egoísta, decrépita, ultrapassada. 

Os supostos, pretensos, atávicos, caquéticos “donos” e “sinhozinhos” do Brasil não conseguirão arruinar a nossa lavoura tão dedicada quanto delicada.

Eu, Lula Miranda, poeta que sou e me fiz na defesa dos ideais de uma sociedade mais justa e igualitária, que não traí, essa boa e nobre causa, princípios e fins de toda uma juventude, tenho fé na força inabalável que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer – isso já nos ensinaram outras palavras e outros poetas. 

Tenho fé na força das palavras e dos que lutam ao lado da verdade, e faço aqui essa minha prosa poética como se fora uma espécie de oração.

Os canalhas não arruinarão a nossa lavoura – delicada e dedicada, reitero!

Os canalhas não arruinarão a nossa arte e engenho!

Os canalhas não conseguirão arruinar o nosso jornalismo!

[Em que pese a falta de decência, o despudor, o escárnio, a degradação social, o vexame de dois jornalistas da grande imprensa que, recentemente, celebraram e brindaram a desgraça de seus inimigos políticos, num simulacro de “dia da vitória”, sugerindo um jantar com degustação de boa comida e  vinhos caros.] 

Os canalhas não conseguiram arruinar a nossa alegria!

Os canalhas, os contumazes violadores da ética, da dignidade e da cidadania não conseguirão nos desviar de nossa utopia!

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