Para sociólogo, crise levou a 'desmoralização institucional'

Na opinião de Celso Barros, analista e doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, a crise política atingiu ontem um dos seus pontos mais baixos e "bizarros" em quase dois anos; "É uma desmoralização institucional. O Renan pagou para ver e venceu o Supremo", afirma.; sociólogo destaca que nenhum outro político poderoso - como os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff ou o da Câmara, Eduardo Cunha - conseguiu sobrepujar a mais alta Corte do país, como Renan, que se manteve no cargo pelo placar até folgado de 6 a 3

Brasília - Presidente do Senado, Renan Calheiros fala à imprensa antes da Ordem do Dia (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Presidente do Senado, Renan Calheiros fala à imprensa antes da Ordem do Dia (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Giuliana Miranda)
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247 - Na opinião de Celso Barros, analista e doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, a crise política atingiu ontem um dos seus pontos mais baixos e "bizarros" em quase dois anos. "É uma desmoralização institucional. O Renan pagou para ver e venceu o Supremo", afirma. O sociólogo destaca que nenhum outro político poderoso - como os ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff ou o da Câmara, Eduardo Cunha - conseguiu sobrepujar a mais alta Corte do país, como Renan, que se manteve no cargo pelo placar até folgado de 6 a 3.

As informações são do Valor.

"Mais do que uma conquista de Renan, porém, Barros credita o resultado à pressão do presidente Michel Temer sobre o STF. Em sua visão, o placar só foi possível porque o Planalto pôs "todos os seus operadores" durante a madrugada para amarrar a solução à crise institucional, num trabalho conjunto com os ministros do Supremo. "Indiscutivelmente foi uma solução política. Temer venceu hoje", diz.

Para Barros, a votação é "juridicamente esquisita", pois inverteria uma lógica constitucional. De acordo com os ministros, Renan Calheiros, tornado réu na semana passada, não deixa a presidência do Senado, mas sai da linha sucessória à Presidência da Republica. "No fundo eles disseram: visto que ele é réu, o presidente do Senado não pode ser presidente da República. Enquanto a lógica deveria ser: visto que o presidente do Senado está na linha de sucessão e ele é réu, ele não pode estar no comando da Casa. É uma decisão que não faz sentido. O Supremo não poderia mudar a linha de sucessão, que está na Constituição", diz

Barros afirma que "estava mais ou menos claro" que a decisão correta foi a tomada monocraticamente por Marco Aurélio Mello - e o que se poderia discutir é a maneira como ela foi tomada, "sozinho, naquele momento".

No entanto, prevaleceu a decisão política dos ministros do Supremo. "Politicamente, eles foram convencidos de que Temer precisa passar a PEC do teto dos gastos, pois o governo dele está num momento horroroso, nas cordas. Sem isso, ele corria o risco de não passar nada de importante no Congresso neste ano, para superar a crise. Foi uma vitória que Dilma não conseguiu em seus últimos meses", afirma Barros, embora não creia que a ascensão do vice-presidente do Senado, o petista Jorge Viana (AC), pudesse atrapalhar a aprovação da PEC. "Causaria algum barulho, um ruído, mas ele é moderado", define."

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