Pimenta: Lava Jato aprendeu com os EUA métodos de tortura psicológica

"Eles são dispostos a qualquer coisa para conseguirem o que querem. Aliás, quem instruiu a #LavaJato a usar essa tática de ameaçar familiares de investigados foi o Departamento de Justiça dos Estados Unidos”, afirmou o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS)

Paulo Pimenta e Deltan Dallagnol
Paulo Pimenta e Deltan Dallagnol (Foto: Câmara dos Deputados | ABr)

247 - O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), comentou as novas revelações do The Intercept sobre os abusos da Operação Lava Jato. Para o deputado gaúcho a reportagem publicada nesta quarta-feira (11) revela o “grau de perversidade (ou de perversão moral?!) da #LavaJato” e disse que “violar a lei é pouco para essa turma" da Lava Jato de Curitiba 

"Eles são dispostos a qualquer coisa para conseguirem o que querem. Aliás, quem instruiu a #LavaJato a usar essa tática de ameaçar familiares de investigados foi o Departamento de Justiça dos Estados Unidos”, acrescentou o parlamentar.

O novo capítulo da Vaza Jato aponta que o Ministério Público Federal pediu duas vezes ao então juiz Sérgio Moro operações contra a filha do empresário luso-brasileiro Raul Schmidt como forma de forçá-lo a se entregar. Moro acabou concordando na segunda vez. De acordo com reportagem do Intercept Brasil, uma fonte anônima informou que o objetivo da Lava Jato era “criar um ‘elemento de pressão’, como disse o procurador Diogo Castor de Mattos, sobre o empresário”.

“O MPF apelou a Moro mirando na filha do investigado: queria que o passaporte de Nathalie Schmidt fosse cassado e que ela fosse proibida de sair do Brasil. O plano era forçá-lo a se entregar para evitar mais pressão sobre a filha”, destacaram os jornalistas Rafael Neves e Leandro Demori.

Pimenta observou essa prática já foi disseminada anteriormente pelos EUA, durante as ditaduras militares que governaram a região durante décadas. “Antes, a Escola das Américas treinava os torturadores. Agora, o DoJ treina procuradores e juízes para fazer o papel sujo na América Latina. Tais métodos são típicos de quem não respeita a Constituição e o Código Penal, de gente que é guiada pelos mesmos princípios dos torturadores de ditaduras militares”, comentou Pimenta pelo microblog.

Criança de sete anos

O líder do PT assinalou que “a LavaJato atua não só à margem da lei, mas também ignora os códigos morais que distinguem a humanidade”. Ele se refere ao caso do filho de Nathalie Schmidt que tinha sete anos de idade quando a ação na casa dela foi realizada. "Na verdade foi uma ação explícita de coação, já que mesmo Sérgio Moro tinha dúvidas se havia justificativa suficiente para isso, como mostram os diálogos da #VazaJato revelados hoje”, destaca Pimenta.

Para a presidenta Nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), o nome da prática é “tortura”, já que sem indício de que a filha sabia sobre o caso, “o elemento de pressão” foi acionado. “Como foi dito ontem a Lava Jato denunciaria a Lava Jato”, escreveu ela.

Jorge Solla (PT-BA) afirmou, também pelo twitter: “Assim que ditaduras fazem para que presos delatem: atingem a família, inocentes, impõem sofrimento a filhos. Na ditadura militar torturavam crianças. A Lava-Jato mandou perseguir filhos. Para salvar a família, fala-se o que for preciso, verdade ou mentira”.

O deputado Airton Faleiro (PT-PA) qualificou a prática como “jeito miliciano de ser da Lava Jato”, e completou: “Nem as maiores organizações criminosas do mundo são capazes de uma barbárie dessa. Isso é coisa de milicianos”.

Com informações da Bancada do PT.

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