Planalto vê provocação de Mandetta ao cobrar 'fala única' sobre o coronavírus

Alguns políticos avaliam que o ministro Luiz Hnerique Mandetta (Saúde) usou a entrevista para enviar o recado de que não vai ceder. Mandetta também criticou o comportamento de pessoas que não têm seguido o isolamento social

(Foto: Isac Nbrega/PR)
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247 - Interlocutores e membros do Palácio do Planalto viram como uma provocação a Jair Bolsonaro a entrevista concedida pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao programa Fantástico, da Globo. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, alguns políticos avaliam que Mandetta usou a entrevista para enviar o recado de que não vai ceder. O ministro cobrou uma unificação do discurso para orientar a população. 

"Eu espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, uma fala unificada. Isso leva para o brasileiro uma dubiedade. Ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, o presidente, quem é que ele escuta", disse Mandetta.

A entrevista foi gravada no Palácio das Esmeraldas, na sede do governo de Goiás. O governador Ronaldo Caiado (DEM) rompeu no mês passado com Bolsonaro, após o ocupante do Planalto se referir à covid-19 como uma "gripezinha" e ter incentivado as pessoas voltarem à "normalidade" para evitar um colapso econômico.

No sábado (12), Mandetta e Caiado condenaram a atitude de Bolsonaro, que foi a encontro de apoiadores, cumprimentou pessoas e tirou a máscara. Depois que Bolsonaro voltou para Brasília, o ministro e governador seguiram juntos para Goiânia. Antes de retornar à capital federal Bolsonaro tinha visitado nós visitar ao lado deles a construção de um hospital de campanha em Águas Lindas (GO).

Mandetta também criticou o comportamento de pessoas que não têm seguido o isolamento social. Citou como exemplo Bolsonaro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. "Quando você vê as pessoas entrando em padaria, supermercado, fazendo fila, piquenique isso é claramente uma coisa equivocada", avaliou o ministro.

O ministro também alertou que o período mais preocupante da crise da covid-19 ainda chegará. 

“No mês de maio, junho, teremos os dias muito duros. Dias em que seremos tachados. ‘Ah, vocês não fizeram o que tinham de fazer, ‘deviam ser mais duros’, ‘menos duros, porque a economia está assim’. Sempre vai haver os engenheiros de obra pronta. Serão dois, três meses de muitos questionamentos das práticas”, disse Mandetta.

Neste domingo (12), em uma live com lideranças religiosas, Bolsonaro afirmou que "o coronavírus está começando a ir embora".

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