Pobres com Lula; ricos com Bolsonaro. É o que a mídia conseguiu

O esmiuçamento dos números brutos da pesquisa Datafolha sobre intenção de voto presidencial em 2018, aponta que Lula passa de 30 para 39% entre os eleitores com renda até dois salários mínimos, que representam quase a metade da população (45%, exatamente)", diz o jornalista Fernando Brito; único outro candidato a crescer, Jair Bolsonaro, dá um impressionante salto de mais 16% entre os eleitores com renda superior a 10 salários, passando de 12% para 28%, mais de um quarto dos eleitores mais bem remunerados, que representam 4% do eleitorado; para ele, "a "falecida" classe média ascendente pode ditar o destino do processo eleitoral. Pode pretender voltar à vida com um "eu era feliz e não sabia" ou pode, na sua mesquinha morbidez, agarrar o país e nos conduzir ao inferno que lhe povoa a mente

Deputado federal Jair Bolsonaro (PSC)  e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .2
Deputado federal Jair Bolsonaro (PSC)  e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .2 (Foto: Paulo Emílio)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Fernando Brito, no TijolaçoO artigo de André Singer, hoje, na Folha, joga luz sobre algo que desaparece nos números brutos da pesquisa Datafolha sobre intenção de voto presidencial em 2018, para as quais me chama a atenção meu amigo Hayle Gadelha, publicitário especializado em questões eleitorais.

Lula passa de 30 para 39% entre os eleitores com renda até dois salários mínimos, que representam quase a metade da população (45%, exatamente), entre duas pesquisas do instituto (dezembro e abril).

O único outro candidato a crescer, Jair Bolsonaro, dá um impressionante salto de mais 16% entre os eleitores com renda superior a 10 salários, passando de 12% para 28%, mais de um quarto dos eleitores mais bem remunerados, que representam 4% do eleitorado.

Arredondo o número de eleitores brasileiros para 100 milhões, para facilitar o que se vai demonstrar.

Lula ganha 9% de 45 milhões de eleitores mais pobres. Ganhou, portanto, mais 4 milhões de votos, desde a última pesquisa: agora são 17,55 milhões que tendem a lhe dar o voto, neste universo.

Bolsonaro tem mais 16% entre os 4 milhões de eleitores mais abastados, um ganho de 640 mil votos, o que lhe dá um total, nesta parcela, de um milhão e cem mil votos.

Contrastando: o eleitorado de Lula cresceu 4 milhões; o de Bolsonaro, o "mito", em 640 mil.

Claro que há outros 50 por cento do eleitorado a disputar e Bolsonaro revela uma musculatura cada vez mais preocupante.

Mas há, como observa Singer, sinais de que os mais ricos agora não se mobilizam pelo PSDB.

Embora eu não creia na viabilidade política do adiamento das eleições, o "jabuti" colocado no mais alto galho da política, creio que isso pode ser o caminho de uma configuração da disputa política.

Não é possível "cravar" a aposta, mas não acho que o desequilíbrio destas forças que se reorganizam vá deixar de testar o risco da prisão de Lula.

Ou que João Doria, como preveem os muitos anos de janela política do jornalista Luís Costa Pinto, possa deixar os tucanos amarrados a um naufragante Temer e tentar uma aventura "solo".

A "falecida" classe média ascendente pode ditar o destino do processo eleitoral. Pode pretender voltar à vida com um "eu era feliz e não sabia" ou pode, na sua mesquinha morbidez, agarrar o país e nos conduzia ao inferno que lhe povoa a mente.

A mídia construiu um exército de zumbisachandi que este lhes serviria obedientemente.

Serviu, sim, mas ameaça agora ter vida própria.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como:

• Cartão de crédito na plataforma Vindi: acesse este link

• Boleto ou transferência bancária: enviar email para [email protected]

• Seja membro no Youtube: acesse este link

• Transferência pelo Paypal: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Patreon: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Catarse: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Apoia-se: acesse este link

• Financiamento coletivo pelo Vakinha: acesse este link

Inscreva-se também na TV 247, siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram. Conheça também nossa livraria, receba a nossa newsletter e ative o sininho vermelho para as notificações.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247