Política ambiental do governo Bolsonaro não mudará por causa da eleição nos EUA, diz Mourão

Há a expectativa de que uma vitória do candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, aumente a pressão sobre o Brasil por uma maior preservação ambiental

Hamilton Mourão
Hamilton Mourão (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
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Reuters - O vice-presidente da República e coordenador do Conselho da Amazônia, Hamilton Mourão, afirmou nesta terça-feira que a política ambiental do governo vai continuar a mesma, independentemente de quem vencer a eleição presidencial dos Estados Unidos.

Há a expectativa de que uma vitória do candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, aumente a pressão sobre o Brasil por uma maior preservação ambiental. Biden colocou as mudanças climáticas, o combate às emissões de carbono e a defesa da energia limpa no centro de seu plano de governo, em um movimento que foi capaz de atrair os mais jovens e um espectro de eleitores mais à esquerda nos EUA.

O presidente Jair Bolsonaro tem defendido abertamente a reeleição do republicano Donald Trump.

“A nossa resposta é muito clara. Estamos fazendo a nossa parte, estamos fazendo o nosso trabalho, tenho a maior tranquilidade e lembro sempre que a nossa relação é de Estado para Estado, independentemente do governo, havendo simpatias ou não”, disse Mourão, em entrevista coletiva sobre as atividades do Conselho da Amazônia.

O vice-presidente chegou a ironizar análises que têm apontado que, em caso de vitória de Biden, haveria uma grande pressão norte-americana sobre a questão da Amazônia.

“Quanto à questão da mudança de governo nos Estados Unidos, eu tenho visto as análises e parece que, se Joe Biden for eleito presidente, a partir da segunda quinzena de janeiro o 18º Corpo Aeroterrestre americano vai baixar aqui, entrar Amazônia adentro e vai mudar tudo o que está acontecendo lá. Não é assim que vai ocorrer”, disse.

O vice-presidente reconheceu que haverá “algumas mudanças de posição” caso Trump seja derrotado, mas assegurou que a postura do Brasil independe do governo dos EUA. “Em relação se é Biden ou Trump, nós temos de fazer o certo porque esse é o nosso dever como governo do Brasil, senão vira bagunça”.

Resultado melhor

Coordenador desde o início do ano de ações para a Amazônia, Mourão admitiu que gostaria de apresentar um “resultado melhor” na preservação do bioma. Houve aumento nos registros recentes de queimadas e desmatamento, segundo dados oficiais. “Não logramos até o momento, mas vamos persistir”, afirmou.

O vice-presidente destacou ter uma “visão clara” de que as operações na Amazônia têm de prosseguir até o final do governo Bolsonaro. Disse que está travando um combate contra o desmatamento desde maio e acredita que vai se chegar ao final do ano com uma “ligeira melhora”.

Mourão, entretanto, não quis fixar qualquer tipo de meta de redução de ações ilegais na região. Segundo ele, a partir da próxima semana haverá reuniões com diferentes ministérios a fim de se fechar um “contrato de objetivo”, uma espécie de metas a serem fixadas.

Ele afirmou ainda que o governo deve focar sua atenção quanto à regularização fundiária em duas áreas prioritárias que ficam em Rondônia e no sul do Pará, mas essa decisão está sendo ultimada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina. O vice-presidente disse que municípios com alto índice de desmatamento serão os últimos a passarem pela regularização fundiária.

Ao rebater críticas, o vice-presidente disse ainda que a viagem em que ele e ministros do governo vão levar representantes diplomáticos de outros países à Amazônia entre quarta e sexta-feira não é “para inglês ver”.

De acordo com Mourão, será mostrado aquilo que não está bom e exemplificou que vai ser apresentado um aspecto “consolidado” da Amazônia em torno de Manaus e outra parte mais profunda da região.

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