Presidente do INEP desmente Bolsonaro e diz que ele só terá acesso ao ENEm se houver norma para isso

Às vésperas de grandes protestos contra os cortes bilionários na educação, presidente do INEP foi à Câmara e, cauteloso, enfrentou a oposição sem falar nada além do protocolo. Ele garantiu que Enem 2019 acontecerá sem problemas e sem censura

Presidente do INEP desmente Bolsonaro e diz que ele só terá acesso ao ENEm se houver norma para isso
Presidente do INEP desmente Bolsonaro e diz que ele só terá acesso ao ENEm se houver norma para isso (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

Por Luiz Henrique Dias, para o 247 - Às vésperas de grandes protestos contra os cortes bilionários na educação, presidente do INEP foi à Câmara e, cauteloso, enfrentou a oposição sem falar nada além do protocolo. Ele garantiu que Enem 2019 acontecerá sem problemas e sem censura.

Elmer Vicenzi, que está à frente do INEP, órgão ligado ao Ministério da Educação compareceu nesta terça-feira (14) à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados para dar explicações sobre os problemas com a realização do ENEM 2019.

Vicenzi, que não é professor, mas policial, levou um power point com informações de edições passadas e elogiou as mudanças feitas a partir de 2009 (ainda na gestão do ex-Ministro Fernando Haddad), como melhoras no modelo da prova, na expansão do número de inscritos e de universidades que aderiram ao SISU e outras formas de ingresso utilizando o Enem.

Comissão de censura

Os parlamentares indagaram o presidente do INEP sobre a chamada Comissão de Censura, que surgiu depois da imprensa noticiar ser "Bolsonaro o dono do Enem", segundo o antigo presidente do Instituto, e depois reforçada pela publicação no Diário Oficial da nomeação de comissão para "analisar as questões para verificar sua pertinência com a realidade social" e que "ecoem as expectativas de (...) um projeto de país."

Um dos autores do requerimento, o Deputado Federal Alencar Santana, lembrou que a educação deve ser prioridade e a censura pode comprometer todo o pacto social. "Isso é grave: uma censura de conteúdo ideológico. O que seria um conteúdo ideológico. E perguntamos isso porque há poucos dias o Presidente da República censurou um comercial do Banco do Brasil.", pontuou.

A Deputada Federal Rosa Neide (PT), que também assinou o requerimento chamando o presidente do INEP, também questionou a comissão. "Quando uma autoridade atravessa o papel do INEP cria insegurança na sociedade", afirmou.

Gráfica falida

O anúncio do pedido de falência da gráfica que imprimia a prova gerou muitas dúvidas e inseguranças para professores, pais e alunos. Vicenzi garantiu que já existe uma nova gráfica, especializada em impressão de segurança e que a prova não será comprometida

Bolsonaro e Abraham

Apesar das críticas e indagações, Vicenzi tentou amenizar a ingerência de Bolsonaro e garantiu que a comissão não funciona mais e não vai funcionar em minha gestão.

Quando indagado por Alencar sobre se Bolsonaro terá acesso à prova, Elmer disse que não foi solicitado o acesso, mas admitiu que respeitará o posicionamento hierárquico do governo e que não fará nada que não esteja escrito em norma.

Ele ainda tentou justificar a matemática errada do Ministro da Educação que usou "três bombons e meio em cem" para calcular 35% de cortes nas universidades. "Ele está exposto e sob pressão", afirmou.

Estudantes

O estudante do Instituto Federal do Distrito Federal e representante da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, Marcelo Acácio, demonstrou preocupação com o futuro do Enem e da educação superior depois do anúncio dos cortes de recursos destinados às universidades. "É muito importante a discussão social através da prova, para além do que o governo chama de 'doutrina", pontuou. Disse ainda que os estudantes estão mobilizados para enfrentar a retirada de recursos. "Não vamos aceitar esses cortes", finalizou.

Análise

O Presidente do INEP foi protocolar e não respondeu nenhuma pergunta sem consultar seu power point e seu celular, nem tanto por despreparo mas por saber onde estava pisando depois de outros "colegas"de governo passaram por dificuldades frente à oposição e, por isso, tentou ser cauteloso e educado. Não deve ser fácil ter os truculentos e de humores inconstantes Abraham e o Bolsonaro como chefes.

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