Prisão de Jefferson é derrota de Veja, Fux e JB

No calor do julgamento da Ação Penal 470, a revista Veja defendeu que Roberto Jefferson, delator do chamado "mensalão", recebesse o perdão judicial; tese, em seguida, foi encampada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo; no plenário da corte, o primeiro a vocalizar a ideia foi o ministro Luiz Fux, que a defendia em razão da suposta colaboração do ex-deputado para a elucidação dos fatos; Joaquim Barbosa gostou da ideia e levou a liberdade de Jefferson até o limite do tolerável; só decidiu prendê-lo mais de três meses depois de encarcerar seus verdadeiros alvos; constrangimento geral impediu que ele continuasse solto

No calor do julgamento da Ação Penal 470, a revista Veja defendeu que Roberto Jefferson, delator do chamado "mensalão", recebesse o perdão judicial; tese, em seguida, foi encampada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo; no plenário da corte, o primeiro a vocalizar a ideia foi o ministro Luiz Fux, que a defendia em razão da suposta colaboração do ex-deputado para a elucidação dos fatos; Joaquim Barbosa gostou da ideia e levou a liberdade de Jefferson até o limite do tolerável; só decidiu prendê-lo mais de três meses depois de encarcerar seus verdadeiros alvos; constrangimento geral impediu que ele continuasse solto
No calor do julgamento da Ação Penal 470, a revista Veja defendeu que Roberto Jefferson, delator do chamado "mensalão", recebesse o perdão judicial; tese, em seguida, foi encampada pelo blogueiro Reinaldo Azevedo; no plenário da corte, o primeiro a vocalizar a ideia foi o ministro Luiz Fux, que a defendia em razão da suposta colaboração do ex-deputado para a elucidação dos fatos; Joaquim Barbosa gostou da ideia e levou a liberdade de Jefferson até o limite do tolerável; só decidiu prendê-lo mais de três meses depois de encarcerar seus verdadeiros alvos; constrangimento geral impediu que ele continuasse solto (Foto: Leonardo Attuch)
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247 - A prisão de Roberto Jefferson, delator do chamado "mensalão", representa uma derrota para três atores que tiveram papel fundamental no julgamento da Ação Penal 470: a revista Veja, que colocou a faca no pescoço de diversos ministros do Supremo Tribunal Federal para fazer prevalecer sua agenda política, o ministro Luiz Fux, que prometia "matar no peito" o assunto, mas proferiu votos sempre alinhados com a condenação, e o próprio relator Joaquim Barbosa.

Se dependesse desses agentes, Jefferson, que cunhou o termo mensalão, mas depois admitiu que se tratava de uma figura retórica, uma vez que jamais houve pagamentos regulares a parlamentares, ainda estaria solto. E a tentativa de mantê-lo livre começou a ser costurada numa edição de Veja, de setembro de 2012, quando a revista defendeu que lhe fosse concedido o perdão judicial (leia mais aqui).

Em seguida, o ministro Luiz Fux, que prometia "matar no peito" o julgamento, mas depois se alinhou completamente com a acusação, abriu um debate a respeito dessa tese no plenário (relembre aqui). No voto que proferiu em 27 de setembro, dias depois da reportagem de Veja, Fux sugeriu que se discutisse a redução de pena ou de perdão judicial do réu, visto que ele teria sido peça fundamental para a elucidação do suposto esquema julgado pelo Supremo. Tese que foi aplaudida pelo "insuspeito" Reinaldo Azevedo, blogueiro de Veja.com. "Todos os que participamos dos debates na VEJA.com defendemos essa mesma opinião", postou Reinaldo em seu blog, com referência ao voto de Fux.

No Supremo, Marco Aurélio Mello afirmou que Jefferson "prestou grandes serviços à Nação". E o presidente da corte, Joaquim Barbosa, esticou a corda ao máximo. Levou a liberdade de Jefferson ao limite do tolerável. Só decidiu prendê-lo três meses e sete dias depois de encarecerar seus verdadeiros alvos, que eram José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Decidiu, finalmente, soltar a ordem de prisão nesta sexta-feira porque o constrangimento geral já deixava evidente, em todo o meio jurídico, que ele vinha julgando com dois pesos e duas medidas.

Definitivamente, a prisão de Jefferson não estava no script dos roteiristas da Ação Penal 470.

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