Procura-se um ‘bom burguês’

Tive a ideia, ainda muito incipiente, de constituir um fundo de investimento privado para financiamento da imprensa alternativa no Brasil – nos moldes dos fundos de investimento e/ou fundos de pensão

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Tá certo que alguns vão dizer que a expressão “bom burguês” traz em si uma “contradição em termos” ao unir dois qualificativos excludentes (sendo um “substantivado”) e incompatíveis entre si: “bom” e “burguês”. A opinião é livre. Provavelmente vai ter até leitor, ainda mais radical, que dirá que “burguês bom é burguês morto”. Esse tipo de formulação, desgraçadamente, já teve lugar na história. Tem opinião para todos os gostos. Reconheço como, digamos, “legítimas” todas essas opiniões. Mas já sou um “jovem senhor” e esses arroubos radicais já se perderam há muito pelo caminho. São mais próprios e caros aos mais jovens, decerto.

Não pretendo tampouco, esclareço, abolir a luta de classes e/ou sequer empanar/confundir  a essencial consciência de classes. Bem sei que operário é operário; patrão é patrão. Mas com o outro Lula - o Luiz Inácio - aprendi da oportunidade de se fazer uma necessária ponte que leve a um entendimento e colaboração possíveis. Pois esse é o caminho para se construir um “capitalismo de Estado” ou um “socialismo de mercado” – como queira. Mas esse é outro assunto e já estava  fugindo do tema a que me propunha escrever. 

Bom burguês, você deve se lembrar, em  parcas palavras, é aquele personagem egresso das classes privilegiadas que se une à luta revolucionária para financiá-la e assim supostamente viabilizá-la, dando sua contribuição à causa. Personagem bastante citado na literatura.  Já foi até tema de filme. Lembrado isto, cabe perguntar e esclarecer: afinal de contas, para quê procuro um bom burguês? Explico-lhes.

Tive a ideia, ainda muito incipiente, embrionária, de constituir um fundo de investimento privado para financiamento da imprensa alternativa no Brasil – nos moldes dos fundos de investimento e/ou fundos de pensão. A proposta inicial é constituí-lo com doações de empresários, Fundações sem fins lucrativos (nacionais e estrangeiras), de filantropos e cidadãos comuns – não seriam aceitas, por exemplo, doações de partidos políticos ou empresas que se utilizam de trabalho escravo ou que desrespeitam o meio-ambiente e os direitos do trabalhador.

“Esse Lula Miranda é mesmo um poeta, um sonhador” – você já deve estar aí fulminando essa minha ideia. Não é mesmo? Mas já estou acostumado à desconfiança, e até mesmo desdém, para com as  propostas “novidadeiras” (ou nem tanto). Lembro-me do dia em que, isso já faz uns 12 anos, mais ou menos, em meio a uma assembleia da minha categoria profissional, propus que fosse incluído na pauta de reivindicações o fornecimento de vale-refeição nas férias. Muxoxos e risos sarcásticos ecoaram no auditório. Mas não me dei por vencido. Insisti e lembrei que nas férias se recebe salário, e que, se  recebemos salário, teríamos que receber também os demais benefícios – tais como vale-refeição e vale-alimentação. Expliquei ainda que algumas poucas  empresas já forneciam vale-refeição aos empregados nas férias e que o fato de nós não recebermos denunciava o nosso atraso com relação às conquistas dos outros trabalhadores. Hoje, naquela empresa em que trabalhei, todos recebem o vale-refeição nas férias e ninguém lembra que isso começou de uma ideia aparentemente “sem pé nem cabeça”.

Não tenho dúvida de que deveria ser uma política de Estado, e não de governo ou de iniciativas como essas, o financiamento dos pequenos veículos, a democratização da mídia e a livre circulação de ideias, mas, como disse antes, já estou acostumado ao desdém para com as ideias e propostas “novidadeiras”. E, além desse suposto “desdém”, deparamo-nos com os interesses de poderosos conglomerados de comunicação e dos políticos – alguns não por mera coincidência ou obra do acaso donos desses conglomerados.

O cerne dessa proposta é que os comunicadores não sejam dependentes de partidos, governos ou de grandes empresas. Para que assim possam manifestar de forma mais livre suas opiniões e agir de forma mais independente e vigilante com relação aos poderes constituídos – função primordial de uma imprensa livre, hoje completamente corrompida.

Esse Fundo seria administrado por pessoas de reconhecida competência e idoneidade na administração de fundos de investimentos. Suas contas e balanços seriam publicados, diariamente, na internet e seriam fiscalizados periodicamente por auditores independentes, para tanto contratados. Os doadores ou colaboradores poderão, a qualquer tempo, solicitar uma prestação de contas ao Fundo. Tudo na maior transparência e dentro das regras do capitalismo – mas a serviço de um ideal humanista ao qual se subordina.

Todos teriam direito a requisitar e receber recursos desse Fundo? Sim, pequenos e grandes blogueiros – das mais diversas opiniões e ideologias. Mas com a condição de já ter de alguma maneira contribuído ou colaborado para a arrecadação de recursos [por exemplo, colocando um banner da propaganda do Fundo em seu blog] e, claro, de efetivamente ter público ou leitorado. O blog do “eu sozinho” e os “diletantes” não estariam contemplados.

Mas... Isso é apenas uma ideia, incipiente como disse, mas que já compartilhei com alguns poucos editores da blogosfera, e que agora compartilho com os leitores com o intuito de colher as milionárias contribuições de todos os erros. E assim prosperar. Ou mesmo malograr, se for o caso.

A arrecadação para o Fundo Democracia & Mídia [ou Found for Media and Democracy – em inglês]  começa agora  – e começa pela doação de sugestões e ideias. Dê a sua.

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