PSOL: acordo sobre base de Alcântara "é lesivo aos interesses nacionais"

O PSOL, presidido por Juliano Medeiros, afirmou que o acordo entre Jair Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a base espacial de Alcântara, no Maranhão, também "afeta centenas de famílias comunidades quilombolas que vivem na região, ameaçadas de expulsão sem nenhum processo de consulta prévia, como determina convenção 169 da OIT"

247 - O PSOL, presidido por Juliano Medeiros, divulgou nesta terça-feira (3) uma nota em repúdio ao acordo entre os Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a base espacial de Alcântara, no Maranhão.

Segundo o partido, o acordo "é lesivo aos interesses nacionais" e fere a soberania brasileira. "Além disso, afeta centenas de famílias comunidades quilombolas que vivem na região, ameaçadas de expulsão sem nenhum processo de consulta prévia, como determina convenção 169 da OIT", complementa. 

Veja a íntegra da nota:

Nota da Executiva Nacional do PSOL sobre o Centro de Lançamento de Alcântara

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara Federal aprovou, em 21 de agosto, acordo sobre Salvaguardas Tecnológicas relativas ao uso do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão.

Assinado em março por Jair Bolsonaro e Donald Trump, tal acordo fere a nossa soberania, é lesivo aos interesses nacionais e cria áreas restritas, nas quais, em pleno território nacional, autoridades brasileiras não poderiam entrar sem autorização dos EUA.

O acordo restringe o uso que o Brasil pode fazer das receitas advindas da exploração comercial do centro de lançamento para nosso próprio programa aeroespacial; retira do Estado brasileiro a faculdade de decidir quais outros países podem utilizar o local; e limita até mesmo a atuação de nossas forças policiais e de prestação de socorro em caso de acidentes.

Além disso, afeta centenas de famílias comunidades quilombolas que vivem na região, ameaçadas de expulsão sem nenhum processo de consulta prévia, como determina convenção 169 da OIT.

O PSOL colocou-se veementemente contra o texto, que acabou aprovado por 21 votos a 6. Surpreendentemente, a proposta teve o apoio de parlamentares de outros partidos de oposição.

Como antes de ser votado pelo plenário, a proposta ainda seria apreciada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, e Constituição e Justiça, os partidos de esquerda teriam tempo suficiente para travar amplo e respeitoso debate com objetivo de construir uma posição unitária contra este “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas”, que fere nossa soberania e viola direitos ancestrais.

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