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PT lança carta a evangélicos e rejeita uso eleitoral da fé

Lideranças destacam convergências entre Evangelho, justiça social e democracia

Evangélicos em oração e bandeiras do PT (Foto: Pixabay | Lula Marques/PT na Câmara)
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247 - O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou nesta segunda-feira (8) uma carta direcionada ao público evangélico na abertura do 4º Encontro Nacional de Evangélicos da legenda, realizado em Brasília. O documento reforça a defesa da liberdade religiosa, critica a instrumentalização da fé para fins eleitorais e integra a estratégia do partido para ampliar sua interlocução com esse segmento da sociedade. Em Brasília, partido defende respeito à fé e rejeita manipulação religiosa nas eleições

Com o tema "Mishpat: Fé, Justiça, Democracia e as Eleições 2026", o encontro reuniu lideranças evangélicas, pastores, parlamentares, militantes e representantes de movimentos sociais de diversas regiões do país. O evento também prevê a elaboração de uma carta política voltada à defesa da dignidade humana, da valorização da vida e do fortalecimento democrático.

Fé não pode ser instrumento eleitoral

Ao abrir o encontro, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido pretende aprofundar o diálogo com as comunidades evangélicas sem recorrer à exploração da religiosidade para fins eleitorais.

"Nós não vamos manipular a fé de ninguém. Não vamos fazer disputa político-eleitoral usando a fé de ninguém. Nós temos que construir o espaço de diálogo", declarou.

Segundo Edinho, há mais convergências do que divergências entre os princípios defendidos pelo partido e os valores presentes no Evangelho, especialmente na luta contra a pobreza, a exclusão social e as desigualdades.

"O Evangelho não legitima a injustiça, não legitima a exclusão, não legitima a fome e a miséria. Ao contrário, a proposta cristã, como mostra o Evangelho de João, é assegurar que todos tenham vida e tenham vida em abundância", afirmou.

O dirigente acrescentou que o projeto político defendido pelo PT busca justamente combater a fome, a miséria e a exclusão.

"Se é isso que nos move (...) onde é que está a contradição entre nós e as comunidades evangélicas? Não. Eu acho que nós temos mais convergência do que divergência", disse.

Construção de pontes com os evangélicos

Edinho Silva também defendeu que a relação entre o partido e o segmento evangélico seja baseada no respeito mútuo e na disposição para o diálogo.

"Quando a gente consegue mobilizar lideranças evangélicas de todos os estados brasileiros para estarmos aqui hoje conversando sobre isso, é muito importante. A gente não constrói o diálogo hostilizando. A gente constrói o diálogo chamando para conversa", afirmou.

O presidente do PT destacou ainda a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação às comunidades evangélicas. "O presidente que mais de forma efetiva respeitou a comunidade evangélica foi o presidente Lula. Nenhum presidente fez tanto para reconhecer a comunidade evangélica quanto o presidente Lula", declarou.

Ao abordar a pauta dos direitos das mulheres, Edinho associou a defesa da igualdade de gênero aos ensinamentos cristãos. "Quando nós levantamos a bandeira dos direitos das mulheres, nós estamos dialogando com o Evangelho do Cristo (...) A mulher é central no evangelho de Cristo", disse.

Comunicação e presença nas igrejas

A senadora Eliziane Gama (PT-MA) afirmou que um dos principais desafios do campo progressista é ampliar a comunicação com os evangélicos em todas as regiões do país. "Temos um grande desafio hoje, que é o desafio de levar essa mensagem aos quatro pontos do país. A comunicação é fundamental para que as pessoas conheçam a realidade", afirmou.

A parlamentar defendeu a criação de canais permanentes de diálogo com diferentes públicos dentro das igrejas. "Precisamos sentar com cada espaço evangélico e mostrar aquilo que o governo tem feito e que dialoga com a vida dos evangélicos brasileiros", declarou.

Combate à desinformação e defesa da democracia

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) destacou a necessidade de ampliar a mobilização política diante do avanço da extrema direita e da disseminação de notícias falsas.

"Precisamos combater as fake news e ter protagonismo neste governo. Precisamos trabalhar com nossos iguais e diferentes em liderança", afirmou.

A parlamentar também ressaltou a importância da unidade política em torno da reeleição do presidente Lula.

"Lula é esse extraordinário líder que nós temos. Hoje é um líder universal, respeitado em todo o mundo", declarou.

Encontro reforça presença evangélica no PT

De acordo com os organizadores, o IV Encontro Nacional de Evangélicos e Evangélicas do PT busca reunir lideranças de diferentes denominações religiosas e correntes políticas em torno da defesa da democracia, da justiça social, da solidariedade e dos interesses do povo brasileiro.

Para ampliar sua presença nesse segmento, o PT pretende investir na formação de uma rede de influenciadores digitais evangélicos, aprofundar o diálogo com igrejas de médio porte e fortalecer uma frente ampla evangélica.

A proposta é reunir pastores, lideranças religiosas e fiéis de diferentes filiações partidárias, além de pessoas sem vínculo com legendas políticas, ampliando o alcance da articulação para além das estruturas partidárias tradicionais.

O coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, destacou a participação histórica dos evangélicos na construção partidária. "O PT também é um partido de evangélicos. São centenas de milhares de filiados e filiadas que professam a fé evangélica e ajudam a construir o partido em todo o país", afirmou.

Já a secretária nacional de Movimentos Populares e Políticas Setoriais, Lucinha Barbosa, avaliou que o setor inter-religioso terá papel estratégico no próximo período político. "O setorial inter-religioso cumprirá um papel importante e determinante para o nosso partido, para a esquerda e para a reeleição do presidente Lula", declarou. 

Participaram do evento a primeira-dama Janja da Silva, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a senadora Eliziane Gama (PT-MA), a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), a vereadora Aava Santiago (PSB) e a deputada federal Marina Silva (Rede-SP), entre outras lideranças políticas e religiosas.

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