Queiroz se sente culpado por crise no governo Bolsonaro, diz advogado

Pivô da investigação aberta contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, o ex-assessor e amigo da família Fabrício Queiroz tem se sentindo culpado pela crise politica do atual governo; "Queiroz se sente culpado de alguma forma porque foi o pivô disso. Ele não se sente abandonado. Por isso não se revolta, não está chateado", disse o advogado Paulo Klein

Queiroz se sente culpado por crise no governo Bolsonaro, diz advogado
Queiroz se sente culpado por crise no governo Bolsonaro, diz advogado

247 - Pivô da investigação aberta pelo Ministério Público contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, o ex-assessor e amigo da família Fabrício Queiroz tem se sentindo culpado pela crise politica do atual governo. "Queiroz se sente culpado de alguma forma porque foi o pivô disso. Ele não se sente abandonado. Por isso não se revolta, não está chateado", disse o advogado Paulo Klein. Para o clã Bolsonaro, porém, Queiroz teria traído a família ao dizer que recolhia parte do salário de servidores do gabinete para contratar funcionários informais quando Flávio ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). (Leia no Brasil 247)

Para o Ministério Público, existem fortes indícios da prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete ocupado pelo então deputado. Por conta das suspeitas, o MP solicitou nesta semana a quebra dos sigilos bancários e fiscal de 86 pessoas e nove empresas ligadas ao parlamentar de alguma forma.

"O Ministério Público diz que após três meses a defesa não provou que aquela versão é verdadeira. Mas eles em um ano e seis meses também não provaram que é mentira. E são eles quem têm que fazer essa prova, não eu", disse o advogado em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

"O Queiroz tem até um sentimento de culpa. Acho que ele está errado, não tem culpa de nada. Mas, por lealdade à família, ele vê todo esse escândalo como algo ruim. E ele se sente culpado de alguma forma porque, de alguma forma, foi o pivô disso", ressaltou o advogado.
"Ele não se sente abandonado. Por isso não se revolta, não está chateado. Eu não vejo uma conduta criminosa dele. Vejo que ele fez um trabalho que inclusive resultou em benefício para o próprio Flávio, porque aumentou a base de atuação do deputado, o que representou em aumento de votos", completou.

Ainda segundo Paulo Klein, "se a família Bolsonaro está dando apoio a ele, até onde eu sei, não. Ele está cuidando da saúde com recursos dele e a família ajudando. Houve um distanciamento natural. A família Bolsonaro quis se distanciar até para evitar a alegação de que há um conserto de informações".

Sobre o suposto empréstimo feito à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, Klein disse que Queiroz já "se explicou". "De fato houve esse empréstimo. No momento do empréstimo, a conta corrente dele estava negativa em R$ 20 mil. Ele era um cara enrolado financeiramente. Ele fazia negócios, tinha família grande. E tinha essa relação de amizade e confiança com o agora presidente". Para ele, a explicação para o fato de Queiroz ter pedido o empréstimo diretamente para o presidente e não para Flávio é prosaica: "Ele disse que se sentiu mais confortável de pedir para o Jair Bolsonaro".

Ainda conforme o advogado, a investigação aberta contra o filho do presidente tem cunho político. "Eu vejo isso. Mais uma vez estamos em vias de aprovar a reforma da Previdência. Isso não interessa a determinados grupos. Essa discussão tira o foco do governo, mais uma vez. Isso já foi feito na época do Temer. É muita coincidência", ressaltou.

 

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