Rappers de SP cantam miséria e medo da polícia

Enquanto os funkeiros do Rio de Janeiro associaram o genêro ao tráfico e ao crime organizado, na periferia de São Paulo as letras da música rap têm outro sentido; versando sobre infância miserável, falta de lazer e truculência policial, grupos como Racionais, Ogi e a cantora Negra Li, além do Conexão dos Morros, do assassinado Dj Lah, mais se defendem do que atacam

Rappers de SP cantam miséria e medo da polícia
Rappers de SP cantam miséria e medo da polícia
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 – A morte do rapper Dj Lah, do grupo Conexão dos Morros, na primeira chacina do ano em São Paulo, ocorrida na sexta-feira 4, despertou novas atenções sobre a música rap produzida na periferia de São Paulo. Ao contrário do funk carioca, com muita letras claramente favoráveis ao crime organizado e ao tráfico de drogas, boa parte do rappers paulistanos, como o próprio DJ Lah, não se identificam com os bandidos. O que não significa aproximação com a polícia.

"Ser favelado é ser soldado de bandeira nenhuma/Desconfiar dos dois lados sem temer coisa alguma/Nasceu no meio da guerra então se acostuma", diz um verso da Soldado sem Bandeira, do Dj Lah e o grupo Conexão do Morro. Em Super Herói Destuidor, o rapper critica diretamente os que optaram pelo mundo do crime: "Quem diria roubando o próprio bairro/Ainda tirava os doidão de otário/Tem uma pá de perito querendo sua cabeça/Tem uma pá de mano que você deu mancada, não se esqueça". Após demarcar seu território de independência entre o crime e as autoridades, o Conexão do Morro mostra em Click Clack Bang como vê o papel da polícia nos bairros: "De uniforme cinza assassinos são os homens/
Pilantras como eles por aqui existem um monte/Ratos e mais ratos circulando as favelas/Muito bem, saiam da mira dos tiras/
São eles é quem forçam,
são eles quem atiram/
Reze pra sobreviver". Na capa de um de seus disco, a frase: Por que o ódio e não o amor?"

Está de pé a suspeita de que o cantor e compositor teria sido morto, ao lado de seis outros homens, em represália por sua letras. Foram bandidos que gritam "é polícia" antes de começar a atirar os policiais que agiram como bandidos? As investigaçõe da polícia paulista, três dias após a chacina, parecem longe de chegar a suspeitos.

Só em 2012, mais de dois mil casos de morte em conflitos com policiais foram registrados na capital paulista. Para eliminar a permanente suspeita de que pessoas feridas à bala são mortas pelos policiais durante o percurso de socorro para hospitais, o secretário de  Segurança Fernado Grella Vieira anunciou nesta terça-feira 8 a proibição da remoção, por policiais civis ou militares, de vítimas de tiroteios. A intenção expressa é a de "salvaguardar a saúde das vítimas" e preservar as cenas dos crimes. O que mostra que os medos dos moradores em relação aos policiais têm mesmo razão de ser.

Os Racionais, do líder Mano Brown, são a banda de rap mais admirada de São Paulo. Eles também não idolatram bandidos, mas politizam ao máximo suas letras. Uma das mais recentes mostra as qualidades do líder esquerdista Carlo Marighela. O Ogi, mais novo, bate mais forte na polícia: "Revolta vem/Vejo o sangue do meu mano/Sob a bota de um malandro fardado". Já considerada "das antigas", a cantora Negra Li tenta bucar um meio termo: "Como é difícil encontrar a paz", diz ela.

Abaixo, clips representativos do rap paulistano:

 

 

 

 

 

 

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

WhatsApp Facebook Twitter Email