Redes sociais não elegem ninguém, diz especialista

Em meio a discussão sobre o alcance e poder de interferência das redes sociais nas eleições , o diretor de Comunicação e Marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Facó, afirma que elas não "não têm o poder de eleger ninguém";  "As agências de marketing e consultorias querem criar um novo mercado e ficam alimentando um mito em torno do poder das redes sociais em uma eleição. Elas são só mais uma ferramenta. Não têm o poder de eleger ninguém", afirma; para ele, os "políticos não usam bem as redes sociais"

ARQUIVO 09/03/2018 POLÍTICA Professor Marcos Facó, especialista em redes sociais da FGV. Crédito: Divulgação FGV/ Bianca Gens
ARQUIVO 09/03/2018 POLÍTICA Professor Marcos Facó, especialista em redes sociais da FGV. Crédito: Divulgação FGV/ Bianca Gens (Foto: Paulo Emílio)

247 - Em meio a discussão sobre o alcance e poder de interferência das redes sociais nas eleições , o diretor de Comunicação e Marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Facó, afirma que elas não "não têm o poder de eleger ninguém". "As agências de marketing e consultorias querem criar um novo mercado e ficam alimentando um mito em torno do poder das redes sociais em uma eleição. Elas são só mais uma ferramenta. Não têm o poder de eleger ninguém", afirma.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Facó observa que um dos erros é achar que o eleitor vive apenas nos grandes centros e aglomerados urbanos. "A TV e o rádio ainda são os melhores meios de penetração nos rincões do País", avalia. "Sou defensor das redes sociais, mas elas não serão as responsáveis pela vitória de um candidato. A nossa tendência é imaginar que todo mundo usa Waze, Uber, tem smartphone, 4G... Mas o Brasil é muito grande. Fora da bolha de quem mora em grandes centros ou é formador de opinião, o alcance dos meios digitais é muito meno", disse.

"Quando a gente fala do poder de influência das redes sociais estamos falando dos eleitores dos centros urbanos, de universitários, de gente esclarecida e que consome notícias nessas plataformas. Os especialistas ignoram esse recorte e tratam como se todo o Brasil fosse igual. A TV e o rádio ainda são os melhores meios de penetração nos rincões do País. A comunicação é mais palatável e direta. A pessoa que não tem um grau de formação adequado também tem dificuldade em absorver informações escritas. Até os chamados memes precisam de um background cultural para serem traduzidos", avalia.

Para Facó, os "políticos não usam bem as redes sociais. O marketing político atinge uma classe pequena, mas acha que está atingindo todo mundo. É difícil pautar as redes sociais quando você não está nos extremos. Tudo parte do amor ou do ódio. Quem está no meio, quem se manifesta num nível mais profundo de discussão, pouco participa desse debate", ressalta.

Leia a íntegra da entrevista.

 

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