Renato Janine Ribeiro: “Uma eleição sem Lula perde a legitimidade”

Em entrevista ao Nocaute, o ex-ministro da Educação e professor da USP Renato Janine Ribeiro defendeu a candidatura do ex-presidente Lula e lembra que mesmo após a caçada judicial e midiática contra ele, Lula mantém a liderança na preferência do eleitor brasileiro para retornar à presidência; "Isso coloca o Brasil em uma situação muito ruim, porque um país onde se usa um pretexto para impedir uma candidatura altamente popular é um país que tem uma falha séria no seu caráter democrático. Eles farão o possível para impedir que Lula seja candidato, pois sabem que Lula candidato é uma ameaça ao que eles estão fazendo há dois anos, desde que deferiram o golpe", diz ele em vídeo

Em entrevista ao Nocaute, o ex-ministro da Educação e professor da USP Renato Janine Ribeiro defendeu a candidatura do ex-presidente Lula e lembra que mesmo após a caçada judicial e midiática contra ele, Lula mantém a liderança na preferência do eleitor brasileiro para retornar à presidência; "Isso coloca o Brasil em uma situação muito ruim, porque um país onde se usa um pretexto para impedir uma candidatura altamente popular é um país que tem uma falha séria no seu caráter democrático. Eles farão o possível para impedir que Lula seja candidato, pois sabem que Lula candidato é uma ameaça ao que eles estão fazendo há dois anos, desde que deferiram o golpe", diz ele em vídeo
Em entrevista ao Nocaute, o ex-ministro da Educação e professor da USP Renato Janine Ribeiro defendeu a candidatura do ex-presidente Lula e lembra que mesmo após a caçada judicial e midiática contra ele, Lula mantém a liderança na preferência do eleitor brasileiro para retornar à presidência; "Isso coloca o Brasil em uma situação muito ruim, porque um país onde se usa um pretexto para impedir uma candidatura altamente popular é um país que tem uma falha séria no seu caráter democrático. Eles farão o possível para impedir que Lula seja candidato, pois sabem que Lula candidato é uma ameaça ao que eles estão fazendo há dois anos, desde que deferiram o golpe", diz ele em vídeo (Foto: Aquiles Lins)

247 - O ex-ministro da Educação e professor da USP Renato Janine Ribeiro defendeu a candidatura do ex-presidente Lula, em entrevista ao site Nocaute

Janine lembra que Lula deixou o governo com popularidade recorde, acima de 80% de aprovação, e mesmo após a caçada judicial e midiática contra ele, Lula mantém a liderança na preferência do eleitor brasileiro para retornar à presidência. 

"Isso coloca o Brasil em uma situação muito ruim, porque um país onde se usa um pretexto para impedir uma candidatura altamente popular é um país que tem uma falha séria no seu caráter democrático. Eles farão o possível para impedir que Lula seja candidato, pois sabem que Lula candidato é uma ameaça ao que eles estão fazendo há dois anos, desde que deferiram o golpe", diz ele. 

Assista à entrevista: 

 

 

Leia a transcrição do vídeo:

Lula tem uma popularidade muito grande que é fruto de toda sua história, de ter feito dois governos que foram absolutamente acima do padrão brasileiro, fazendo mudanças grandes no país. Então é natural que a sociedade, sobretudo os setores mais beneficiados pelas políticas dele, tenham muita simpatia por ele.

Agora, se você pensa que ele deixou o governo com 80% de popularidade e que hoje as pessoas que querem votar nele batem em um teto de 40%, é porque houve uma campanha impiedosa, ininterrupta de destruição da imagem dele e do PT.

Então, o que é espantoso, o que é admirável, é ele ter conseguido, mesmo com essa campanha terrível, ter mantido sua liderança nas preferências populares. Isso traz um problema grande, pois uma eleição sem Lula perde legitimidade.

Isso coloca o Brasil em uma situação muito ruim, porque um país onde se usa um pretexto para impedir uma candidatura altamente popular é um país que tem uma falha séria no seu caráter democrático. Eles farão o possível para impedir que Lula seja candidato, pois sabem que Lula candidato é uma ameaça ao que eles estão fazendo há dois anos, desde que deferiram o golpe.

Então há muita dificuldade nisso, todo um processo está acontecendo, cujas falhas estão sendo apontadas. Não estou falando só do processo judicial, estou falando do processo político e social como um todo. Foi um trabalho muito grande tirar o PT da presidência, apesar de o governo ter sido eleito para fazer uma certa plataforma, colocar a plataforma exatamente derrotada na eleição, e não sei se eles vão desistir disso com muita facilidade.

Para muitos dos jornais de grande circulação, a popularidade que se conserva do Lula é uma surpresa, e uma surpresa que eles não gostam.  Porque basicamente, isso eu pude ver como ministro, para a grande mídia e para os programas de televisão que tratam da política, a política brasileira está se desenvolvendo na Praça dos Três Poderes e com a própria grande mídia. É ai que eles consideram que as coisas estão acontecendo, estão rolando. Eles não veem o que está acontecendo fora, eles não acompanham o que está acontecendo na sociedade, nos campos mais remotos.

Uns anos atrás, uns cinco anos atrás, um jornalista da Folha de S.Paulo, viajando pelo interior do Piauí, ficou surpreso em descobrir um programa de transporte escolar financiado pelo MEC, onde muitas crianças estavam andando de ônibus e ele não sabia. Um jornal importante não tinha noção de um programa importante que atende bem aos pobres.

Esse racha no Brasil entre um Brasil mais de elite e um Brasil pobre é imperceptível para muita gente que nem percebe a existência do Brasil pobre. Quando você tem um Brasil pobre que se mexe, um Brasil pobre que gosta de certas medidas que o beneficiaram, que se sente mais à vontade, torna uma coisa difícil para os outros entenderem.

Então, como o PSDB decidiu apoiar a retirada da Dilma, que foi um erro gigantesco, ele acabou tendo que se vincular e se subordinar ao Eduardo Cunha, ao presidente Temer e a outras pessoas, o que acaba trazendo uma imagem ruim, porque eles não foram eleitos para fazer essa política. A última eleição no Brasil repudiou essa política. Então, há um problema ético e político grande aí.

Eu acho muito difícil o Bolsonaro ser eleito presidente da República, para não dizer impossível. Acho que ele é uma bolha, uma bolha que cresceu muito. Na hora das eleições ele não vai ter palanque de candidatos fortes a governadores de estado. Por mais que o PSDB e o PMDB terem ido para direita, eles não chegam a esse ponto.

Eu creio que haverá entre a extrema-direita de Bolsonaro e a direita, que é o PSDB, PMDB, que estão querendo se alto designar como centro, mas na verdade são de direita, você tem um recorte, tem uma separação. Isso dito, eu penso que o problema maior é que quase 20% da população brasileira está enunciando discursos totalmente contrários aos valores iluministas e morais construídos ao longo desse último século.

Você tem então pessoas que consideram legítimo um tipo de coisa, sem nenhum princípio ético, como os consagrados pela Organização das Nações Unidas, daqueles que foram para declaração da ONU justamente como reação à Segunda Guerra Mundial e aos fascismos. Então o fato de você ter 20% da população que acha esse repúdio aos direitos humanos, aos valores éticos da modernidade correto, é muito preocupante.

E mais preocupante ainda é quando você vê que a faixa que ele tem mais eleitores é de pessoas com mais escolaridade. Qual foi essa escolaridade para uma pessoa chegar a se formar em uma faculdade sem ter aprendido a empatia, o respeito aos direitos humanos, sem ter aprendido a igualdade de oportunidades? É sinal de que existe uma falha grande na nossa educação.

Se o Lula não for candidato, quem será o nome do PT? Entendendo que esse nome vai ter que comer muito arroz com feijão para se consolidar, mesmo que seja um nome conhecido, como Jaques Wagner e Fernando Haddad. No caso do PSDB há um problema que os grandes nomes históricos sofreram muito. O nome que está surgindo como candidato hoje, depois da aposentadoria compulsória de Aécio e o enfraquecimento de Serra, é o do governador Alckmin. É um nome que não empolga. Já teve o fato que ele como candidato a presidente em 2006 teve menos votos no segundo turno do que no primeiro.

Então, tanto o PT, o PSDB, quantos outros partidos estão com dificuldade de firmar seus nomes. Mesmo que a gente acredite que Bolsonaro e Marina serão candidatos em qualquer situação, não se sabe se um deles vai empolgar, se um deles vai crescer. Marina cresceu muito em 2014, fruto do azar, do acaso, da trágica morte de Eduardo Campos, e do fato de que ela teve muito pouco tempo de campanha, então ela não apanhou tanto quanto outros candidatos.

Um candidato à presidência apanha muito, ele tem que ter força para aguentar isso. O Lula tem, Alckmin tem, o Ciro tem, vários deles tem muita força para isso. Mas quem vai ficar no fim eu não sei. Acho que o melhor seria se o Brasil tivesse um segundo turno entre uma sensibilidade de esquerda e uma sensibilidade de direita, uma direita mais democrática seria o melhor.

Você não pode dizer que a esquerda tem que se unir porque você não pode decidir por ela. Você tem muitos setores de esquerda que veem as coisas de modo diferente. Todos os setores relevantes de esquerda repudiaram o processo contra o Lula, a condenação etc. Mas é um erro querer dizer ao PSOL, ao Crio Gomes e a outros que eles têm a obrigação de apoiar o nome do PT. Eles têm o direito de querer outo caminho.

Um dos problemas que sucedeu com toda essa perseguição ao PT é que as críticas que devem ser feitas ao PT, as mudanças de caminho que deveriam ser feitas foram às vezes abafadas, justamente com o argumento de que não é hora de falar mal do PT, não é hora de criticar o Lula, e isso não tem sentido. Sempre é hora para isso, porque você vai adiando e nunca chega a fazer uma reavaliação.

Acho que tanto o Ciro, quanto o PSOL e outros segmentos de esquerda têm suas críticas e às vezes fortes ao PT, então isso tem que ser escutado. Se dentro disso se gerar uma candidatura conjunta, ou uma aliança no segundo turno, eu acho isso bom.

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