Revogação de portaria sobre controle de armas feita por Bolsonaro ajuda facções e milícias, dizem especialistas

Portarias 46, 60 e 61do Colog foram revogadas por contrariarem diretrizes estabelecidas por Jair Bolsonaro – que é favorável ao uso de armas por civis – para os chamados CACs (colecionadores, atiradores e caçadores), uma das bases de apoio do seu governo

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Reuters)
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247 - A revogação de três portarias do Comando Logístico (Colog) do Exército que endureciam as regras para o rastreamento, marcação e identificação de armas e munições, feita por Jair Bolsonaro neste mês, irá facilitar atuação de milícias e do crime organizado, dizem especialistas em segurança pública. 

As portarias 46, 60 e 61 foram revogadas por contrariarem diretrizes estabelecidas por Bolsonaro – que é favorável ao uso de armas por civis – para os chamados CACs (colecionadores, atiradores e caçadores), uma das bases de apoio do seu governo. 

As portarias revogadas estabeleciam o Sistema Nacional de Rastreamento de Produtos Controlados pelo Exército (SisNar), visando o rastreamento de Produtos Controlados pelo Exército (PCE), além d a implementação de dispositivos de segurança, identificação e marcação de arma de fogo e munições. 

"Bolsonaro derrubou todas as regras que determinam a marcação de munições e cartuchos, inclusive de itens nacionais. Isso vai atrapalhar trabalhos de investigação. O exemplo mais conhecido é a morte da Marielle [Franco], que começou a ter evidências sobre os autores do crime após a polícia encontrar as munições usadas naquele ato", disse Ivan Marques, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em entrevista ao UOL.

"A gente sabe da ligação espúria entre milícia e crime organizado com forças policiais. Se há um desvio — e sabemos que existe — de órgãos públicos para milícia e crime organizado, se nada for colocado no lugar do sistema de rastreamento, vão conseguir ter armas irrastreáveis. Favorece o crime de maneira geral", completou.

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