Sakamoto: crise na Venezuela requer inteligência, não diplomacia de Twitter

Jornalista Leonardo Sakamoto afirma que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, "parece se pautar pela bolha dos aplausos desmiolados de parte de seus seguidores no Twitter" e, "ao pregar uma interferência direta" na Venezuela, "colocou na reta mais de um século de tradição diplomática brasileira e pode ter desrespeitado nada menos que quatro incisos da Constituição"

Sakamoto: crise na Venezuela requer inteligência, não diplomacia de Twitter
Sakamoto: crise na Venezuela requer inteligência, não diplomacia de Twitter

247 - Ao comentar a posição do Brasil alinhada aos Estados Unidos de enviar caminhões para a chamada ajuda humanitária à Venezuela, o jornalista Leonardo Sakamoto afirma que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo "parece se pautar pela bolha dos aplausos desmiolados de parte de seus seguidores no Twitter" e, "ao pregar uma interferência direta nos assuntos internos de outro país de uma forma intempestiva, guiando-se por agendas de outras nações, colocou na reta mais de um século de tradição diplomática brasileira e pode ter desrespeitado nada menos que quatro incisos da Constituição Federal".

"Esta, em seu artigo 4º, determina que as relações internacionais do Brasil deverão reger-se pelos princípios da autodeterminação dos povos; da não-intervenção; da defesa da paz; e da solução pacífica dos conflitos, entre outros", diz. "Ajuda humanitária é fundamental para aliviar o sofrimento de populações em situação de emergência, por conta de guerras, desabastecimento grave, conflito ou desastres naturais ou econômicos. Quem quer fazer de fato ajuda humanitária, porém, deve fazê-lo de forma neutra, e desvinculada de objetivos políticos, estratégicos ou militares", acrescenta. 

De acordo com o jornalista, "não há dúvida de que Nicolás Maduro preside um regime que já se tornou antidemocrático e violento, além de econômica e socialmente desastroso, como já foi dito mais de uma vez neste espaço". "Daí a arriscar uma intervenção armada de potências estrangeiras, com apoio do Brasil, e um conflito que poderia criar uma nova Síria nas nossas fronteiras, vai uma distância muito grande", critica. 

Leia a íntegra no Blog do Sakamoto

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