Sakamoto: o governo Bolsonaro luta a favor da desigualdade social

De acordo com o jornalista Leonardo Sakamoto, ao negar aumento real do salário mínimo, "usando como justificativa a crise econômica", o governo Jair Bolsonaro nega "coletes salva-vidas melhores para a turma que não tem e não terá acesso aos botes porque estava na terceira classe quando um iceberg bateu no casco do navio"

Sakamoto: o governo Bolsonaro luta a favor da desigualdade social
Sakamoto: o governo Bolsonaro luta a favor da desigualdade social (Foto: Dir.: Ricardo Moraes - Reuters)

247 - "O governo Jair Bolsonaro propôs ao Congresso Nacional que o valor do salário mínimo vá de R$ 998,00 para R$ 1040,00, sem aumento real, apenas o reajuste inflacionário, no ano que vem", reforça o jornalista Leonardo Sakamoto.

"A diferença significa uns dois quilos de patinho moído a mais – dependendo do açougue – ou menos de dez passagens de ônibus em São Paulo. Se a equipe econômica tivesse seguido a valorização do mínimo vigente há 15 anos teria incluído também o equivalente a um quilo de arroz, um de feijão preto e um sabonete. Mas não fez isso em nome da saúde de nossa economia", diz.

De acordo com o jornalista, "o governo coloca uma pá de cal na política que considerava a inflação do ano anterior e a variação do PIB de dois anos antes – o que levou a um aumento no seu poder de compra e a melhoria na qualidade de vida de milhões de pessoas".

"Se você não depende do mínimo, pode estar pensando que muito barulho está sendo feito por R$ 11,00, que é a diferença provável caso a fórmula antiga valesse", diz. "Isso faz diferença para cerca 48 milhões de pessoas, entre aposentados e pensionistas, empregados com carteira assinada, trabalhadores autônomos e trabalhadoras empregadas domésticas, entre outros, que têm sua rendimento referenciado no mínimo", continua.

"A defesa de uma política de valorização real do mínimo não é contra a responsabilidade fiscal, tampouco insinua que os favoráveis a restringir o aumento à correção monetária fazem isso por 'maldade'. Mas abandonar a política usando como justificativa a crise econômica é negar coletes salva-vidas melhores para a turma que não tem e não terá acesso aos botes porque estava na terceira classe quando um iceberg bateu no casco do navio".

Leia a íntegra no Blog do Sakamoto

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