Salles diz que governo federal só fiscaliza 6% do Pantanal e defende bois na prevenção do fogo

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles defendeu as queimadas controladas e disse que a prática da pecuária reduziria os incêndios no Pantanal

Ricardo Salles e manguezal
Ricardo Salles e manguezal (Foto: Reuters)
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247 - Durante audiência pública da comissão externa do Senado, nesta terça-feira (13), que acompanha as ações de enfrentamento aos incêndios no Pantanal, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tentou se esquivar das responsabilidade de combater as queimadas e disse que a prática da pecuária reduziria os incêndios no Pantanal.

Salles ainda defendeu os fazendeiros ao afirmar que “grande parte desses incêndios não decorre de ações de produtores rurais”,. “A principal causa é a questão do clima quente, seco, ventos fortes”, disse.

Ele ainda defendeu a realização de queimadas controladas para reduzir a disponibilidade de massa orgânica seca, que alimenta os incêndios. “Primeiro é preciso seguir com a política de uso preventivo do fogo, chamado fogo frio, que é um instrumento importante de combate às queimadas, uma vez que diminui o volume de massa orgânica depositada. Feito no momento adequado de forma adequada contribui sim para a diminuição da proporção dos incêndios quando eles acontecem”, disse Salles.

Salles disse ter ouvido de “várias fontes diferentes” a necessidade de se reconhecer o papel da criação de gado para reduzir os focos de incêndio na região, reforçando a tese da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse em audiência pública no Senado que se houvesse mais gado no Pantanal, o desastre das queimadas teria sido "até menor".

De acordo com o ministro, o governo federal tem competência para fiscalizar só 6% dos 15 milhões de hectares do Pantanal. Segundo Salles, as demais áreas do território são de responsabilidade dos estados.

“Estamos falando de áreas que compreendem florestas destinadas, unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos em um volume total de 902 mil hectares que corresponde a 6% dos 15 milhões de hectares”, disse Salles, afirmando que o governo tem competência para fiscalizar só 902 mil hectares da área total do bioma.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), quatorze por cento da área do Pantanal foi queimada apenas em setembro deste ano, número que supera a área de todo o ano passado e é a maior devastação anual do território causada pelo fogo desde o início das medições, em 2002.

"Volto a dizer que apenas 6% do território do Pantanal é de jurisdição da fiscalização federal. As demais partes do territórios são de competência estadual. E, portanto, o governo federal contribui na sua parcela de jurisdição. Para além disso, com emprego das Forças Armadas”, afirmou.

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