Se derrubarmos mais 5% da Amazônia ela pode se tornar uma savana, avalia especialista

Segundo o professor do Departamento de Economia da FEA-USP, Ricardo Abramovay, a conivência do governo com o desmatamento está na ponta de lança de um processo que pode levar a floresta ao estado de savanização, quando suas características se alteram e seu aspecto se torna parecido ao cerrado brasileiro. Assista ao vídeo da entrevista ao Brasil de Fato

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José Bernardes, Brasil de Fato - As recentes queimadas na Amazônia colocaram o país em alerta. Persistindo o alto índice de desmatamento e os usos criminosos da terra, a maior floresta tropical do planeta poderá entrar em colapso, afetando o clima de todo o planeta. 

Para entender o que está acontecendo com a região mais rica em fauna e flora de todo o mundo, o Brasil de Fato entrevistou o professor do Departamento de Economia da FEA-USP, Ricardo Abramovay, que inicia a série “Floresta em Perigo”.

Serão três vídeos abordando os temas do desmatamento, da economia de dados agregados às produções no campo, da ciência no Brasil e os conflitos internacionais que o país têm se envolvido, por conta da floresta.

Para Abramovay, a conivência do governo federal com as queimadas e o desmatamento, estão na ponta de lança de um processo, que pode levar a floresta ao estado de savanização, quando suas características se alteram e seu aspecto se torna parecido ao cerrado brasileiro, levando ao desaparecimento de espécies da fauna e da flora locais.

“Cada vez que ocorrem ações destrutivas dessa natureza, o governo passa a mão na cabeça e diz: 'esses são os heróis do crescimento do Brasil'. Com esses heróis, o Brasil vai cada vez mais para trás”. 

Abramovay, que também integra o Conselho Diretor do Imazon, instituto que monitora a Amazônia e estimula a conservação do território, lembra que a destruição da floresta não atende, sequer, a riqueza, a prosperidade e o combate à pobreza, mas sim “uma apropriação imediata, para produzir gado, que nem serve, na maior parte das vezes, para grãos, e cujos os rendimentos econômicos são extremamente baixos, mas os rendimentos patrimoniais podem ser altos”.

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