“Se ele deu partida no jet ski, pode ser homicídio”

Em entrevista ao 247, promotora do caso Grazielly diz que verso do advogado do adolescente no tira responsabilidade dele pela morte da criana; segundo Rosana Colletta, s o depoimento do menor vai esclarecer o caso

“Se ele deu partida no jet ski, pode ser homicídio”
“Se ele deu partida no jet ski, pode ser homicídio” (Foto: REGINALDO PUPO/AGÊNCIA ESTADO)

Diego Iraheta _247 - A polícia interroga na tarde desta quinta-feira, 23, o adolescente que estava pilotando o jet ski que, desgovernado, atropelou e matou a menina Grazielly, de 3 anos, em Bertioga (SP), no fim de semana. Os policiais também vão tomar depoimento dos pais dele, Marciano Assis Cabral e Maria Adriana Sipoleta, e dos padrinhos, com quem o menino estava em um condomínio de luxo na praia do litoral norte do estado. O 247 apurou que a família da vítima também deve prestar depoimento na delegacia sede do município, mas no fim da manhã de quinta.

À frente do caso, uma das duas únicas promotoras de Bertioga, Rosana Colletta, vai acompanhar o interrogatório do menor. Segundo ela, as declarações do adolescente são peça-chave da investigação para que se compreenda em que condições ele usava (ou não) o jet ski. No entanto, a versão do advogado dele, Maurimar Bosco Chiasso – de que o rapaz só deu a partida na embarcação, mas não pilotou – não exime o menor de responsabilidade pela morte da criança.

“Ainda que ele não tenha conduzido, mas só dado a partida, se não houvesse responsável ali com ele, ainda assim, o adolescente teria praticado homicídio. Pois a conduta teria partido dele”, analisa a promotora ao 247. Se comprovado que o menor estava pilotando o jet ski, o Ministério Público vai fazer uma representação na Vara da Infância e Juventude de São Paulo. Após criterioso exame, o MP pedirá aplicação de medida socioeducativa ao rapaz.

A punição pelo homicídio culposo (sem intenção de matar) pode, contudo, ser estendida a outras pessoas, a depender de como o adolescente conseguiu o jet ski. “Se comprovado que um maior entregou esse bem a ele ou a alguém que estivesse próximo, a apuração é na esfera criminal”, explica Rosana Colletta. De acordo com a Rádio Bandeirantes, o jet ski pertence a Luiz Augusto Cardoso, empresário do ramo de coleta de lixo. Resta saber se Luiz Augusto emprestou a embarcação ao menor, se estava com ele na hora da tragédia ou se o adolescente pegou o jet ski por iniciativa própria para "brincar".

A promotora revela ao 247 que, em Bertioga, é bastante comum o envolvimento de adolescentes em afogamentos e acidentes com jet ski e quadriciclos na praia. O número de ocorrências aumenta durante o verão, principalmente em Riviera de São Lourenço, área para onde vão os altos executivos da capital paulista durante feriados e fins de semana. “Os adolescentes muitas vezes extrapolam, não têm dimensão do perigo. Os pais acabam não tomando conta e esse tipo de coisa acontece”, conta Rosana Colletta.

O Ministério Público Estadual de São Paulo já fez um trabalho de conscientização de pais e adolescentes em Bertioga. “Mas essa tragédia precisa ter punição para que não volte a se repetir”, conclui a promotora.

A delegacia-sede de Bertioga informa que o delegado responsável só vai falar sobre o caso nesta quinta-feira, às 16h. Será uma entrevista coletiva à imprensa, após a polícia ter tomado todos os depoimentos.

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