Secretário diz que ocupação no Pará é 'ação de organização criminosa' e ameaça banir trabalhadores

Seguindo o discurso de Jair Bolsonaro, que disse em campanha que atos dos movimentos de trabalhadores rurais deveriam ser tratados como "terrorismo", o secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, disse nesta segunda-feira (14) que a ocupação feita pela União Nacional Camponesa de uma fazenda em Itupiranga, no Pará, é uma "ação de organização criminosa" e que invasores de terra serão punidos "no rigor da lei"

Secretário diz que ocupação no Pará é 'ação de organização criminosa' e ameaça banir trabalhadores
Secretário diz que ocupação no Pará é 'ação de organização criminosa' e ameaça banir trabalhadores (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

247 - O secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, disse nesta segunda-feira (14) que a ocupação feita pela União Nacional Camponesa de uma fazenda em Itupiranga, no Pará, é ilegal e os trabalhadores rurais que participaram da ocupação serão punidos "no rigor da lei".

Seguindo o discurso de Jair Bolsonaro, que disse em campanha que atos dos movimentos de trabalhadores rurais deveriam ser tratados como "terrorismo", o secretário Nabhan Garcia classificou como uma "ação de organização criminosa" a ocupação no Pará.

"A fazenda foi invadida por uma organização criminosa. Esses invasores serão anotados e não serão beneficiados por programas da reforma agrária. Qualquer prática de invasão é inaceitável e neste governo vamos tomar todas as medidas para que eles sejam enquadrados cível e penalmente pelo seus crimes", criticou o secretário.
De acordo com o movimento, a propriedade é improdutiva e foi ocupada por cerca de 500 integrantes, sendo a primeira ocupação de terras registrada no mandato do presidente Jair Bolsonaro.

Para o secretário, que também é presidente da União Democrática Ruralista, entidade que reúne grandes proprietários de terras em todo o país, a fazenda é produtiva. "Isso é reforma agrária? Isso é bagunça agrária, anarquia agrária", disse Garcia. "Reforma agrária, está na lei e vai continuar. Propriedade sem função social vai para reforma, mas propriedade produtiva, não", completou.

"Esses invasores serão identificados e punidos, com o rigor da lei. É assim que serão tratadas as invasões de propriedade. Os invasores não são fantasmas, eles estão lá, eles vão ser detidos, identificados e vão responder com o rigor da lei", ameaçou o secretário.

Nabhan fez questão de dizer que está em contato com o governador paraense, Helder Barbalho, para endurecer as medidas contra o grupo e ainda afirmou que vai interceder junto ao Tribunal de Justiça do Estado para que seja espedido mandado de reintegração de posso. Mas por lei, apenas o proprietário do imóvel é que pode pleitear tal mandado.

"Cobramos do governo do Pará que tenham posturas mais severas e que identifique esses invasores, que estão cometendo crimes. Vou recomendar o Tribunal de Justiça do Pará que seja espedido o mandado de reintegração de posse para frear essa ação que promove o caos e o pânico a quem está trabalhando e produzindo para o país", concluiu Nabhan.

 

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