Seis homens e uma mulher formam o júri popular do julgamento da tragédia na boate Kiss

Julgamento da tragédia que resultou em 242 mortes e 636 feridos em 2013 deverá ser o mais longo da história no Rio Grande do Sul, se estendendo por 15 dias

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Rede Brasil Atual - Seis homens e uma mulher, sorteados nesta quarta-feira (1º), formarão o júri popular no julgamento de quatro réus envolvidos no caso da boate Kiss, ocorrido em 2013. Três estarão em um júri pela primeira vez. A tragédia, que resultou em 242 mortes e 636 feridos, ocorreu em Santa Maria, mas o processo passou para Porto Alegre, no Foro Central I. A expectativa é de que o julgamento dure até 15 dias. Um telão foi instalado no centro de Santa Maria para transmitir o julgamento.

À revista CartaCapital, o advogado criminalista Pedro Barcellos, defensor das vítimas, declarou que de todas as dificuldades no processo a maior foi ter que lidar com a dor dos familiares. “Muitas vezes, por questões legais ou técnicas, não pude dar as respostas que eles tanto esperavam. Foi muito difícil. São muitas as histórias narradas. Como a do militar bombeiro que enquanto carregava no colo o corpo de uma jovem morta, ouviu o celular tocar no bolso da roupa dela. Era a mãe em busca de notícias. Percebeu que ela já havia ligado dezenas de vezes. Não teve coragem de atender”, afirmou.

Ele defende a tese do dolo eventual, quando a pessoa assume o risco. Ainda que os agentes públicos tivessem falhado na fiscalização, rebate, o processo seria da esfera de responsabilidade administrativa. “Quem provocou o incêndio na boate foram os dois integrantes da banda. Certamente eles não tinham a intenção de matar nem de pôr fogo na casa, mas a ação provocou a morte de centenas de pessoas.”

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Quatro réus

O processo contra os réus possui quase 20 mil páginas. As atividades serão diárias, inclusive aos fins de semana, até as 23h. Ainda assim, uma série de ritos e protocolos além das sustentações orais e dos interrogatórios precisam ser seguidos.

Na parte da tarde de hoje, começará a instrução plenária, na qual 14 sobreviventes serão questionados pelo juiz, pelo Ministério Público, pelo assistente de acusação e pelos defensores dos réus. O júri vai decidir o destino de Elissandro Callegaro Spohr (Kiko) e Mauro Londero Hoffmann, sócios da casa noturna. Além dele, são réus o músico Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor cultural Luciano Bonilha Leão, ambos da banda Gurizada Fandangueira. O grupo se apresentava na festa “Agromerados”, organizada por formandos de vários cursos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), quando um de seus integrantes disparou um artefato pirotécnico, atingindo parte do teto, que pegou fogo.

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Já o advogado Jader Marques, que defende Spohr, pede que se faça uma reflexão sobre a diferença entre “senso de justiça e sensação de vingança”. E questiona sobre os reflexos daquela madrugada de 27 de janeiro sobre a sociedade. “O brasileiro se sente mais seguro depois da Kiss? Existem mudanças no país em relação às políticas contra incêndio? A resposta é não.”

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