Silêncio arrogante e medroso de Cézar Schirmer

Por responsabilidade direta na tragédia de Santa Maria, prefeito da cidade já não consegue fugir

Conheci o prefeito de Santa Maria, Cézar Schirmer, quando ele foi secretário de Fazenda do governo Pedro Simon, nos anos 1980. Está em seu segundo mandato na cidade. É do PMDB. Sofre processo por improbidade administrativa, em razão da prorrogação de contratos no setor de transportes. É o tipo do cara que tem aquele silêncio que quer ressoar inteligente, mas é apenas arrogante, sabem como é? Fico ciente agora, quando escrevo, que ele prometeu ir, mas não compareceu a audiência pública realizada na Câmara Municipal, que ficou lotada, para discutir a questão dos ônibus. Silêncio e omissão. Covardia. Suspeita de ladroagem. Ele também é culpado pela tragédia da Kiss, porque deixou aquela casa abrir as portas sem alvará.


O trecho acima foi publicado na segunda-feira 28, em 247. É meu. Na quarta-feira 30, o próprio prefeito (?) Cézar Schirmer confirmou o seu conteúdo. Especialmente o trecho que apontava seu silêncio, sua omissão, sua covardia. A pretexto de conceder uma entrevista coletiva, na qual teria de explicar o deixa passar da Prefeitura para as irregularidades da boate que resultaram em, até agora, 237 mortes e mais de 120 feridos, 70 dos quais em estado grave, ele deu mais um vexame. Não aceitou perguntas. Falou por 13 minutos, virou as costas e deixou os jornaliistas com seus assessores. O silêncio e a prepotência. Em relação a Napoleão, Schirmer é mais baixo.

O água do mate já está fervendo para o lado dele. E já não era sem tempo. O governador Tarso Genro, nesta quinta-feira, aponta o prefeito como um dos principais responsáveis pela tragédia. O delegado do caso, Marcelo Arigony, afirmou que "até uma criança perceberia que aquela boate não poderia estar funcionando", referindo-se às autoridades municipais, responsáveis pela segurança da cidade, a começar de Schirmer. Com desplante, o prefeito (?) afirmou, nas poucas vezes em que abriu a boca, que a tragédia ocorreria "de uma ou outra maneira". Disse que não sabia da situação da Kiss, a não ser por assessores que informaram que estava "tudo certo". Como armadilha genocida, sim.

Schirmer está desafiado a renunciar. Mas dificilmente ele terá coragem e espírito público para tanto. Por sorte, tão clara está a sua irresponsabilidade como prefeito, e tanta ajuda ele deu, com suas declarações e omissões desastrosas, para quebrar a casca de proteção midiática que o deixou encoberto nos primeiros dias após a tragédia, que agora ele já está sendo descoberto - e não tem mais para onde fugir.


Pelos comentários postados sobre o assunto em 247, sou informado que Alessandro Spohr, dono da Kiss e suicida incompetente, é filho do dono de uma grande construtora da cidade. A Kiss fora multada duas vezes, mas nunca fechada, mesmo sem os documentos necessários para seguir funcionando. O prefeito Cezar Schirmer responde por processo por improbidade administrativa em razão de ter determinado a extensão, sem abertura de licitação, dos contratos de concessão de ônibus da cidade. Não seria estranho que o setor de concessão de alvarás registre esquemas de corrupção. A polícia e o Ministério Público trabalham com essa hipótese. É bem provável que Schirmer escape, porque estamos no Brasil, mas é possível não deixar o culpado prefeito fugir. Haverá mesmo Justiça?

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