Sinais positivos

O fundamental é aproveitar o momento para reduzir a taxa de juros e o serviço da dívida, liberando recursos para elevarmos nossa taxa de investimentos

Apesar de o panorama internacional ser incerto e pouco promissor, o ano de 2012 desponta com grande potencial para o Brasil. É o que se depreende da análise de importantes indicadores da economia, que parecem revelar que o país está se preparando de forma adequada para aproveitar as oportunidades que se desenham no horizonte.

Ante um quadro de recessão e desemprego dominante na Europa, o Brasil projeta crescimento maior neste ano e geração de 2 milhões de empregos formais. De fato, os dados referentes ao último trimestre de 2011 mostram que nossa economia retomou sua trajetória de crescimento: em dezembro, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) teve alta de 0,57%, após ter crescido 1,29% no mês anterior.

 

Os sinais positivos aparecem também no desemprego, que teve a menor taxa para o mês de janeiro registrada na última década —5,5% nas seis Regiões Metropolitanas medidas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O aumento de 14% no salário mínimo previsto para este ano significa que haverá maior poder de compra estimulando a produção, colaborando para atingirmos os 4,5% de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) previsto pelo ministro da Economia, Guido Mantega.

O contingenciamento orçamentário de R$ 55 bilhões anunciado pelo governo terá igualmente um papel importante para um bom ano na economia, pois permite ampliar o rigor no controle de gastos —sinalização do governo da presidenta, Dilma Rousseff— e, principalmente, sustentar cortes nas taxas de juros.

 

Ao cortar a Selic, o governo pretende atacar dois problemas: de um lado, estimular a atividade econômica, com maior oferta de crédito, algo que já vem sendo perseguido com a adoção de medidas facilitadoras do acesso ao crédito; de outro lado, será possível reduzir a relação dívida/PIB, cuja meta é chegar ao patamar de 30% até o final de 2014.

O corte de juros terá ainda o efeito de diminuir a atração do capital especulativo que tem entrado em grandes volumes no país e apreciado nosso câmbio, criando um problema para o setor industrial exportador. Certamente, haverá grita e propagação de temores quanto aos efeitos inflacionários do reajuste do salário mínimo, dos juros menores e da atividade econômica em aceleração, mas o governo já demonstrou ter rédeas curtas sobre a inflação em 2011, além de esta não ser uma preocupação primeira na nossa agenda econômica de 2012. O fundamental é aproveitar o momento para reduzir a taxa de juros e o serviço da dívida, liberando recursos para elevarmos nossa taxa de investimentos —a meta é entre 22% e 25% do PIB ao final de 2014. Esses recursos se somarão aos investimentos já previstos para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o “Minha Casa, Minha Vida” e o “Brasil sem Miséria”.

Ora, se a base de nosso crescimento está, como tem sido nos últimos anos, no mercado interno em expansão, é preciso adotar estratégias que permitam ampliar nossa produção nacional e, essencialmente, direcionar os investimentos para setores fundamentais ao nosso desenvolvimento, como infraestrutura, tecnologia, Educação e inovação. Nesse sentido, é crucial fortalecer nossas relações diplomáticas e comerciais com nossos vizinhos, para aprofundarmos a integração regional e sustentar nosso crescimento.

Estudo recente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) revela que os projetos de infraestrutura previstos para o país até 2014 perfazem R$ 3,1 trilhão, volume 57,5% superior que o registrado no período 2006-2010. Os setores ligados à exploração do petróleo são os que mais puxaram essa alta, mas a indústria de transformação e de componentes para bens de capital também registram altas.

Na vertente Educação, tecnologia e inovação, o governo lançou o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e o Ciência sem Fronteiras, que oferta bolsas de estudo no exterior para intercâmbio, com foco em tecnologia e inovação. Trata-se de investimento cuja maturação e resultados só surgem com o tempo, mas que são imprescindíveis para nosso desenvolvimento competitivo.

Além disso, o programa Brasil Maior, que reúne políticas voltadas à indústria, institui regimes especiais de tributação para estimular o setor, com prioridade à produção tecnológica nacional e aos investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento.

Os sinais positivos de que 2012 será um ano de oportunidades que não podemos desperdiçar estão visíveis. Nosso papel é não titubear e avançar, com consistência, firmeza e coragem.

José Dirceu, 65, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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