"Sou um juiz da execução penal na era do ódio", escreve magistrado

O juiz de execuções penais João Marcos Buch ressalta que a falência do sistema prisional e suas injustiças tornam o trabalho exaustivo, e que agir de maneira a reduzir os danos do encarceramento tornou-se utópico

(Foto: Foto: Reprodução)

247 - Em artigo publicado pelo site Justificando, o juiz de direto da vara de execuções penais de Joinville (SC), João Marcos Buch, disse que exercer a função na atualidade se tornou exaustivo e "quase frustrante".

"São tempos marcados pela fragilização da democracia diante da intolerância, uma intolerância que alimenta cargos de poder usados para a eliminação do outro. As vítimas dessa era se multiplicam por todos os lugares, nos navios negreiros, nas aldeias indígenas, nos canaviais. E nos porões do cárcere", escreveu Buch.

O magistrado ressalta que a falência do sistema prisional e suas injustiças tornam o trabalho exaustivo, e que agir de maneira a reduzir os danos do encarceramento tornou-se utópico.

"Ainda que seja notória minha preocupação em fazer respeitar as garantias fundamentais insculpidas na Constituição, mesmo com uma atuação que leva muitos a me adjetivarem simpaticamente como o “juiz que solta”, sinto que o futuro poderá não me reservar uma boa nota sobre a participação que tive na trajetória de nossa espécie", continou Buch.

O juiz finaliza, dizendo que acredita que será julgado pelas próximas gerações e pode não ser perdoado, mas que apesar disso, ele resistirá neste sistema.

"Para mim o que importa é que apesar das frustrações, apesar da exaustão, ainda consigo sentir a confiança depositada no meu trabalho. Com a Constituição na ponta da língua, as cartas do cárcere nas mãos e o sentimento de que os encarcerados confiam em mim, o juiz que executa suas penas, eu resistirei, pelo tempo que for necessário!".

Leia o artigo completo no site Justificando.


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