Temer está preso por crimes que cometeu durante toda vida, diz coordenador da Lava Jato

O ex-presidente Michel Temer foi preso nesta quinta-feira (21) por causa dos vários crimes que cometeu ao longo de toda a vida e estranho seria se não tivesse sido detido, disse o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, procurador da República Eduardo El Hage; já para a defesa de Temer, a decisão de prender o ex-presidente se baseou em suspeitas calcadas numa delação premiada e não existem provas que a sustentem

Temer está preso por crimes que cometeu durante toda vida, diz coordenador da Lava Jato
Temer está preso por crimes que cometeu durante toda vida, diz coordenador da Lava Jato (Foto: UESLEI MARCELINO)

Rodrigo Viga Gaier e Eduardo Simões (Reuters)O ex-presidente Michel Temer foi preso nesta quinta-feira por causa dos vários crimes que cometeu ao longo de toda a vida e estranho seria se não tivesse sido detido, disse o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, procurador da República Eduardo El Hage.

Em entrevista coletiva sobre a operação Descontaminação, que apura irregularidades na Eletronuclear e no âmbito da qual Temer foi preso mais cedo, procuradores da Lava Jato no Rio acusaram o ex-presidente de comandar uma organização criminosa que "assalta" o país há mais de 40 anos.

"Estranho seria se Michel Temer não tivesse sido preso. A prisão dele é decorrência lógica de todos os crimes que ele praticou durante uma vida inteira, pertencendo a uma organização criminosa muito sofisticada", disse El Hage.

"A forma como ele praticava os crimes —sempre por interposta pessoa, sempre utilizando contratos fictícios, pagamentos em espécie— é algo que nos causou muita surpresa mesmo depois de três anos de Lava Jato", acrescentou.

Para a defesa de Temer, a decisão de prender o ex-presidente se baseou em suspeitas calcadas numa delação premiada e não existem provas que a sustentem.

"O presidente Temer está bastante tranquilo, ele confia na Justiça, como sempre confiou", disse o advogado Thiago Machado, após a entrevista coletiva da força-tarefa.

Na entrevista, El Hage fez questão de esclarecer que os procuradores pediram a prisão de Temer à Justiça na sexta-feira passada e que o pedido foi aceito pelo juiz federal Marcelo Bretas na terça, antes, portanto, do atrito entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) por conta da tramitação na Câmara do pacote anticrime proposto por Moro.

O ex-ministro Moreira Franco, também preso na operação Descontaminação, é padrasto da mulher de Rodrigo Maia, o que levantou suspeitas de que a operação desta quinta seria uma retaliação de Moro, a quem a Polícia Federal está subordinada, ao presidente da Câmara.

De acordo com os procuradores, a organização criminosa que seria chefiada por Temer atuou em vários órgãos públicos e a soma de propinas recebidas e promessas de vantagens indevidas somam 1,8 bilhão de reais ao longo dos vários anos que o grupo atuou desviando recursos públicos.

"São várias (entidades em que o grupo atuou), Ministério da Agricultura, Secretaria de Aviação Civil, Caixa Econômica Federal", disse El Hage.

"Como eu falei, essa é uma organização criminosa que vem assaltando os cofres públicos há décadas e não escolhia órgãos públicos. Todos os órgãos públicos onde houvesse influência do MDB, havia uma possibilidade, uma oportunidade de ganho espúrio", disse.

De acordo com o coordenador, Temer atuava na área política enquanto o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo João Batista Lima Filho era um de seus operadores financeiros, responsável pelo recebimento de propinas.

"O Coronel Lima é um dos operadores financeiros, apenas um deles, um dos operadores financeiros do ex-presidente Michel Temer. E tinha como função arrecadar valores espúrios e de vantagens indevidas em razão de obras que eram contratadas com o governo federal", disse El Hage.

Os promotores disseram ainda que a prisão preventiva de Temer se justifica para "garantir a ordem pública" e o andamento das investigações, já que afirmam ter indícios de que houve tentativas de atrapalhar a apuração.

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