Temer processa Joesley, mas não responde a perguntas?

"O homem público, como qualquer cidadão,  tem o direito legal de permanecer em silêncio diante de acusações e simplesmente deixar que se as provem ou não. Mas não tem o direito político de fazer isso", diz Fernando Brito, editor do Tijolaço; "Temer, portanto, tem o direito que assiste a qualquer cidadão de processar seus acusadores. Mas tem a obrigação de explicar os fatos que foram revelados e revelados com sons, imagens e malas de dinheiro"

Presidente Michel Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília 05/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente Michel Temer durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília 05/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

O homem público, como qualquer cidadão,  tem o direito legal de permanecer em silêncio diante de acusações e simplesmente deixar que se as provem ou não.

Mas não tem o direito político de fazer isso.

Sobre as ações de quem desempenha função pública estende-se o que está dito no artigo 37 da Constituição: “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

Se o homem da quitanda – coitado, está extinto, como as quitandas – quiser contratar a mulher e os filhos para borrifar de água as couves e alfaces, problema dele. Como o Emílio Odebrecht pôde fazer do filho Marcelo o presidente de suas empresas. Aquele ex-ministro do Esporte foi crucificado por pagar uma mera tapioca com o cartão do Ministério, mas os iates e jatinhos do ricos não estão no nome dos seus “usufrutuários” e, aliás, nem imposto pagam, como as nossas charangas 1.0.

Temer, portanto, tem o direito que assiste a qualquer cidadão de processar seus acusadores.

Mas tem a obrigação de explicar os fatos que foram revelados e revelados com sons, imagens e malas de dinheiro.

Lula, arrastado a depor numa sala de aeroporto, num verdadeiro sequestro, ainda assim não deixou de responder a tudo o que lhe foi indagado.

Temer, inquirido por escrito, usou a chicana de pedir mais prazo para responder e, afinal, recusou-se a responder.

Pode não ter consequência jurídica, tem certamente consequências políticas e de julgamento moral.

Na nota divulgada hoje, Michel Temer diz que “o senhor Joesley Batista é o bandido notório de maior sucesso na história brasileira”.

Por esta declaração, ao menos, Temer revela modéstia.

Afinal, abre mão do título de ser “o bandido notório de maior sucesso na história brasileira”.

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