Tijolaço: mesmo com sua caneca rica, Meirelles seguirá sentado na sarjeta de seus 1%

Jornalista Fernando Brito comenta a notícia de que o MDB não bancará a campanha presidencial de Henrique Meirelles; "Dificilmente, o delírio presidencial de Henrique Meirelles se sustentará. Mesmo com sua caneca rica, seguirá sentado na sarjeta de seus 1% de votos, isso se Geraldo Alckmin não conseguir forças para levá-lo de volta ao ninho", diz Brito 

Tijolaço: mesmo com sua caneca rica, Meirelles seguirá sentado na sarjeta de seus 1%
Tijolaço: mesmo com sua caneca rica, Meirelles seguirá sentado na sarjeta de seus 1% (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - A notícia, no UOL, é clara: o (P)MDB decidiu que a candidatura presidencial de Henrique Meirelles não terá recursos do Fundo Eleitoral e terá de ser bancada com a fortuna pessoal do ambicioso ex-ministro da Fazenda.

“Nós vamos discutir com ele a forma de disputar a eleição com recursos próprios que ele dispõe. Felizmente ele tem essa condição, o que desafoga o aperto dos partidos”, disse  Romero Jucá, afirmando que isso será “um desafogo” para deputados e senadores que, assim, vão poder dividir quase sozinhos  (há uma cota obrigatória para mulheres) – os R$ 234 milhões que cabem ao partido no Fundo.

Não leia a informação somente pelo lado absurdo de que, numa eleição onde as doações empresariais (já tardiamente) estão proibidas, o candidato pessoalmente mais rico terá todas as vantagens ao disputar com os que, na vida pública, acumularam – como deveria ser a regra – modesto patrimônio pessoal.

É a sagração de um novo tipo de “democracia censitária”. Na antiga, no Império, só quem tinha dinheiro acima de certo valor poderia votar; agora, na novíssima república da “meritocracia”, privilegia-se quem pode tirar de suas burras o dinheiro para ser candidato.

Claro que há os energúmenos que acham isso ótimo, porque não se vai gastar dinheiro público, esquecido que os ricos não ficaram ricos aplicando dinheiro no que não vai lhes dar muito mais. Ou, também, os que crêem que, como nos tempos imperiais, isso vai deixar a política reservada aos “homens bons”, que a fariam por puro espírito público, como as mutucas gordas não continuassem picando.

Mas há um outro componente, e dos mais sórdidos, nesta decisão do inefável Romero Jucá. É que assim elimina-se o risco de que Roberto Requião possa representar algum perigo para o domínio do temerismo na convenção do partido.

Como boa parte dos convencionais é formada por deputados e senadores – que querem dividir o menos possível a “bufunfa” do Fundo Eleitoral, vai aderir,  quase todos, ao “dinheiro só pra gente, Meirelles presidente”.

Dificilmente, porém, mesmo com tudo isso, o delírio presidencial de Henrique Meirelles se sustentará.

Mesmo com sua caneca rica, seguirá sentado na sarjeta de seus 1% de votos, isso se Geraldo Alckmin não conseguir forças para levá-lo de volta ao ninho.

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