Tijolaço: paraíso é o da Tuiuti, o inferno é o da direita

Jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, escreve que há uma torrente de insatisfação que não é superficial quanto o que imaginam ser a força do "novo" encarnado pelas velhas práticas; "A Beija-Flor mais se adequou aos tempos do 'politicamente correto'. Mas o sangue fluía era na Tuiuti", diz Brito

Carnaval Rio 2018 - Desfile na Sapucaí - Paraíso do Tuiuti - Grupo Especial - Gabriel Nascimento | Riotur
Carnaval Rio 2018 - Desfile na Sapucaí - Paraíso do Tuiuti - Grupo Especial - Gabriel Nascimento | Riotur (Foto: Aquiles Lins)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - O velho Briza, na sua sabedoria atávica, falava de algo que os bobalhões da teoria não conseguem entender.

O processo social.

Hoje, almoçando tardiamente num “a quilo”- num bairro de classe média reacionária – a tevê transmitia o julgamento dos desfiles de carnaval e dois sujeitos torciam, um pela Beija-Flor  outro pelo Salgueiro e ambos concordavam que a Paraíso do Tuiuti deveria ser a campeã do Carnaval.

Todos eles sabiam que não seria ela a vitoriosa e se surpreenderam de ter perdido por apenas um décimo.

Mesmo torcendo por suas escolas “grandes”, reconheciam que  a escola do “não sou escravo de nenhum senhor” era a vitoriosa real.

Nem falo de “armação”, pois o julgamento de uma escola por “quesitos” é como avaliar a beleza de um corpo esquartejado.

O fato é que o enredo, o samba e o desfile tiveram um sentido atávico também.

Nada do que é dito ali, de forma racional, teria mobilizado multidões.

A arte mexe com isso, com o que está aquém e, sobretudo, além da racionalidade.

Os marqueteiros, que a tudo tratam como “case”, deveriam por tento nisso.

Há uma torrente de insatisfação que não é superficial quanto o que imaginam ser  a força do “novo” encarnado pelas velhas práticas, como este blog mostrou durante o Carnaval.

Vai passar, como dizia o Chico, nessa avenida um samba popular e, como aconteceu agora, cada paralelepípedo dessa cidade vai se arrepiar.

Um sentimento que, talvez, fique como “vice-campeão”. Pode ser. A Beija-Flor mais se adequou aos tempos do “politicamente correto”.

Mas, como reconheceram os dois torcedores do “comedouro”, o sangue fluía era na Tuiuti.

Os intelectuais farão pouco disso.

O povo, para eles,  é um alienado, como  alienados eram meus interlocutores casuais, talvez prontos a repetir o discurso de “corrupção” como o grande mal.

Mas, dentro deles, algo se despertara.

Bem mais fundo, profundo, fecundo.

A história, esta senhora – caprichosa por óbvio – escreveu algo em seu livro aberto. Mas que, como nos versos de John Donne, a entendidos é dado-lê-lo.

Ou “não sou escravo de nenhum senhor” não é o mesmo que traduzia o “não mais será escravo de ninguém”?

Às vezes é preciso ser meio doido para ser lúcido.

O povo não precisa ir a comício para fazer o seu comício.

Amanhã a gente volta à política, onde estamos cheios de velhas novidades…

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