Tijolaço: rumos da economia emitem sinais de preocupação

"A pesquisa da Folha que indica um salto nas expectativas otimistas com o Governo Bolsonaro deveria ser um motivo de preocupação em lugar de significar regojizo para os que vão assumir o poder", alerta o editor do Tijolaço, Fernando Brito; "Todas as evidências são de que o que resta é "chutar a santa" das reservas internacionais, a nossa grande âncora de redução dos riscos da economia brasileira diante da confusa e revolta situação do dinheiro no mundo", ressalta

Tijolaço: rumos da economia emitem sinais de preocupação
Tijolaço: rumos da economia emitem sinais de preocupação (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

Por Fernando Brito, no TijolaçoA pesquisa da Folha que indica um salto nas expectativas otimistas com o Governo Bolsonaro deveria ser um motivo de preocupação em lugar de significar regojizo para os que vão assumir o poder.

Preocupação porque o otimismo, neste caso, o otimismo não vem de fatos objetivos, da esperança na continuidade e aprofundamento daquilo que se tem, mas apenas do que se espera ter.

Não é preciso ir além da história recente para lembrar do que diziam nossos avós: quanto maior o coqueiro, maior o tombo. Dilma Rousseff bateu seu recorde de popularidade em março de 2013, segundo as pesquisas. Sic transit gloria mundi, despencou a menos da metade em junho, depois das manifestações que, para que se fiasse em números de pesquisas, seriam inimagináveis três meses antes.

A questão essencial é, portanto, se e o quanto a administração que começa em nove dias corresponderá a estes números, daí o fato de serem eles preocupantes.

É claro que não se pode fazer previsões absolutas em matéria de comportamento dos mercados mundiais – ainda mais com Donald Trump na presidência dos EUA – mas os dados que se tem – embora até possam levar a impressões exageradas – são o de um inicio de 2019 cheio de turbulências e dificuldades nas finanças internacionais e – de novo como aconteceu na ascensão de Michel Temer ao Governo, em 2016 – e é lá que estão as esperanças de aportes de investimentos para fazer nossa economia girar com mais intensidade.

Porque, internamente, gordura não há para queimar: há deficit público alto, o crédito via BNDES foi minimizado, as pequenas bolsas de energia para alimentar o consumo (como as do FGTS e do PIS, que Temer queimou) já não existem e a compressão dos gastos públicos, feita pela "PEC do Teto" já está bem próxima do "máximo caótico".

Todas as evidências ão de que o que resta é "chutar a santa" das reservas internacionais, a nossa grande âncora de redução dos riscos da economia brasileira diante da confusa e revolta situação do dinheiro no mundo.

Por incrível que pareça, só uma possível hesitação política de Jair Bolsonaro funciona, neste momento, como proteção contra aventuras econômicas e traz dúvidas quanto à repetição de reedições do período inicial de Fernando Collor.

Que, curiosamente, também apresentava índices imensos de popularidade (71%) no momento de sua posse, contra apenas 4% de pessimismo com o que viria. Números que haviam caído para menos de um terço um ano depois e, na condenação ao presidente, se multiplicado por oito.

Nada que desminta a história do coqueiro, que Billy Blanco traduziu nos versos de Banca do Distinto: "A vaidade é assim, põe o tonto no alto, retira a escada/Fica por perto esperando sentada/Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão".

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