Todo dia ela faz tudo sempre novo

Apesar de ser um clássico popular, a canção já não define mais a mulher porto-alegrense, que cada vez mais independente e protagonista, vem mudando o nosso tempo

Tem uma música, do Chico Buarque, que diz “todo dia ela faz tudo sempre igual...”. Apesar de ser um clássico popular, a canção já não define mais a mulher porto-alegrense. Cada vez mais independentes e protagonistas, elas vêm mudando o nosso tempo. Um dos desafios que surgem, nessa nova perspectiva, é o poder público acompanhar a realidade e atender às necessidades mínimas que essas mudanças impõem.

Porto Alegre tem, hoje, segundo o CENSO (2010), 755.564 mulheres, que representam 54% da população. Essa mulher tem perfil extraordinário: aumentou em 60% sua participação nas universidades e avançou no mercado formal de trabalho em 53%. Equilibrista, a mulher congrega valores e características, demonstrando o poder de transformação que tem ao dobrar sua jornada com o trabalho doméstico.

Na Classe C, as mulheres já contribuem com 41% da renda familiar. Esse fator, somado a outros, permitiu uma redefinição de papéis. Hoje, 82% das famílias têm o orçamento decidido pela mulher, por exemplo. A mulher de hoje chama para si a responsabilidade e toma as decisões mais importantes. Por isso, precisam que o Estado cumpra seu papel e ajude-as na melhoria da qualidade de vida de suas famílias.

Como se dá isso no dia a dia? 84% das mulheres porto-alegrenses valorizam a praticidade. Elas optam por soluções que facilitem suas vidas. Isso significa a busca na qualidade da prestação de serviços. Vale para o privado, vale para o público. Se as mulheres fazem sua parte, o poder público precisa fazer a sua.

A existência de 101 Equipes de Saúde da Família em Porto Alegre, por exemplo, não garante atendimento médico a todos, mas a apenas a 209 mil cidadãos. A cobertura do Saúde da Família na Região Metropolitana é baixa: 20% da população, sendo que a média nacional é 60% e, no Estado, 40%. O mesmo ocorre com o serviço de saúde da mulher. Não há a presença devida do Estado nessa área tão importante e que não permite risco. Um exemplo: as biópsias doPapanicolau demoram cerca de 40 dias para ter resultado; a consulta para análise do resultado chega a dois meses. Esse tempo todo compromete o tratamento e reduz as chances de cura.

Na educação, outro entrave. Como uma das mais marcantes características da mulher do século 21 é a valorização da educação, ela precisa de condições para tal. Mas, ao mesmo tempo em que tem esse traço, a mulher continua valorizando sua família. E, se tiver que optar entre estudar ou cuidar dos filhos e família, ficará com esses. Porto Alegre tem apenas 13.230 vagas hoje em sua rede (creches conveniadas e escolas de educação infantil). Muito pouco perto da necessidade real. Mais, não há sequer uma creche noturna.

A insuficiência do poder público faz surgirem soluções provisórias. O que compromete o desenvolvimento da cidade e expõe os cidadãos a riscos desnecessários. Para uma cidade ser desenvolvida, é preciso união de esforços: cidadãos protagonistas e, principalmente, um Estado capaz de gerir os direitos básicos dos cidadãos.

Manuela d'Ávila é deputada federal pelo PCdoB/RS

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