TSE entra na mira de bolsonaristas ao discutir cassação de políticos por "abuso de poder religioso"

Segundo aliados de Jair Bolsonaro e defensores do conservadorismo, que possuem uma de suas principais bases eleitorais junto a igrejas evangélicas e neopentecostais, o TSE estaria promovendo o "ativismo judicial" com o fim de realizar uma “caça às bruxas”

(Foto: Roberto Jayme/TSE - 1º.dez.2015)
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247 - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entrou na mira das milícias virtuais ligadas à extrema direita por abrir, na semana passada uma discussão sobre o abuso do poder religioso como motivo para cassação de mandatos políticos. Segundo aliados de Jair Bolsonaro e defensores do conservadorismo, o TSE estaria promovendo uma “caça às bruxas”. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo

“A imposição de limites às atividades eclesiásticas representa uma medida necessária à proteção da liberdade de voto e da própria legitimidade do processo eleitoral, dada a ascendência incorporada pelos expoentes das igrejas em setores específicos da comunidade”, disse o ministro do TSE Edson Fachin no julgamento de um caso envolvendo a vereadora de Luziânia (GO) Valdirene Tavares (Republicanos). Valdirene é pastora da igreja Assembleia de Deus e é acusada se usar esta condição para influenciar o voto de fiéis  em torno da sua candidatura. 

Apesar de ter votado contra a cassação da parlamentar por falta de provas, Fachin defendeu a necessidade da separação entre religião e Estado de forma a assegurar a livre escolha do eleitorado. Para a deputada federal Carla Zambelli  (PSL-SP), ao pautar a discussão Fachin estaria praticando “ativismo judicial”.  

“Fachin propôs ao TSE a hipótese de cassação de mandato por ‘abuso de poder religioso’. Problema: a lei fala em abuso de poder econômico ou político. Um tribunal não pode, por ativismo, criar a nova hipótese. Mais uma brecha para perseguição ilegal de religiosos e conservadores?”, postou Carla Zambelli no Twitter. 

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