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TSE julga decisão de Nunes Marques que esconde queda de Flávio Bolsonaro em pesquisa

Tribunal analisará decisão de Kassio Nunes Marques que barrou divulgação de levantamento da AtlasIntel sobre Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e Kassio Nunes Marques (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado | Sophia Santos/STF)
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247 - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta terça-feira (9) a decisão do ministro Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg sobre o desempenho eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, após o levantamento apontar queda nas intenções de voto em 19 de maio.

A análise pelo plenário do TSE tratará do referendo da liminar concedida por Kassio Nunes Marques a pedido do PL. O partido questionou a pesquisa, alegando fraude, problemas metodológicos e possível indução dos entrevistados por meio da estrutura do questionário.

A controvérsia ganhou força porque o levantamento foi divulgado poucos dias depois da revelação de conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a respeito do financiamento do filme Dark Horse, produção que abordará a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).

Ao suspender a divulgação da pesquisa, Kassio afirmou ter identificado indícios de comprometimento da metodologia usada pelo instituto. Para o ministro, os elementos apresentados no processo indicariam a possibilidade de que o questionário tivesse influenciado a percepção dos entrevistados, especialmente pela inclusão de temas ligados a investigações e por perguntas com conteúdo considerado de carga negativa.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, afirmou Kassio Nunes Marques.

Na avaliação do ministro, a discussão não se restringe a uma divergência técnica sobre métodos de pesquisa eleitoral. Nunes Marques sustentou que o caso envolve a possibilidade de utilização do questionário como instrumento de indução, o que levou à suspensão da divulgação até a análise pelo plenário do TSE.

O ministro também citou a comparação com outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel na Justiça Eleitoral. De acordo com ele, esses levantamentos não apresentaram questionários com estrutura semelhante à contestada, nem utilizaram áudios, recurso que teria sido empregado na pesquisa sobre Flávio Bolsonaro.

Reação da AtlasIntel

A decisão provocou reação do CEO da AtlasIntel, Andrei Roman. Em publicação no X, ele defendeu a trajetória do instituto e afirmou que a empresa já enfrentou críticas de diferentes campos políticos ao longo dos últimos anos. “Quando mostramos Bolsonaro e Trump fortes em 2022, fomos atacados pela esquerda. Quando antecipamos a derrota de Orban na Hungria, fomos atacados pela direita. A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo”, acrescentou.

Roman também afirmou que o instituto construiu uma trajetória singular no setor de pesquisas eleitorais. Segundo ele, “não existe uma empresa de pesquisa em nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu”.

Ainda de acordo com o CEO, a AtlasIntel saiu fortalecida de questionamentos anteriores e deverá atravessar a atual controvérsia da mesma forma. A manifestação buscou rebater as críticas à metodologia do levantamento suspenso por decisão liminar.

Queda nas intenções de voto

A pesquisa AtlasIntel divulgada em abril mostrava um cenário de empate técnico entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno. Naquele levantamento, o senador aparecia com 47,8% das intenções de voto, enquanto o presidente registrava 47,5%.

No levantamento divulgado em 19 de maio, o quadro mudou. Lula passou a aparecer com 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 41,8%. O resultado representou uma queda de seis pontos percentuais para o senador entre uma pesquisa e outra.

Foi esse segundo levantamento que motivou a reação do PL junto ao TSE. Na ação, a legenda afirmou que a pesquisa teria sido fraudulenta, contestou a metodologia usada pela AtlasIntel e alegou que as perguntas teriam sido formuladas de modo a produzir uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro.

Com a decisão individual de Kassio Nunes Marques, caberá agora ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral decidir se mantém ou derruba a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg.

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