Vamos seguir nosso relacionamento, diz Guedes sobre possível eleição de Biden

Ao ser questionado em evento do banco Itaú sobre as implicações de uma mudança de governo nos EUA, Guedes também ponderou que não se deve “superestimar” esse impacto

Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes
Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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(Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil seguirá seu relacionamento com os Estados Unidos no caso de o democrata Joe Biden vencer as eleições e assumir a presidência do país norte-americano.

Ao ser questionado em evento do banco Itaú sobre as implicações de uma mudança de governo nos EUA, Guedes também ponderou que não se deve “superestimar” esse impacto, na medida em que o crescimento do Brasil depende essencialmente do próprio país.

“Eventualmente havendo a mudança (política nos EUA), me parece que os dados indicam que está próximo isso de acontecer, não afeta nossa dinâmica de crescimento de forma alguma”, afirmou ele, ao participar do Itaú MacroVision.

O ministro defendeu que o coração da economia está dentro do Brasil e que o caminho para o avanço contempla a realização reformas, privatizações, taxação adequada e melhoria de marcos regulatórios e do ambiente de negócios.

“Particularmente sobre os Estados Unidos, voltando para a questão macro, nós estávamos, e continuaremos trabalhando, com todo mundo. Nós vamos dançar com todo mundo porque nós chegamos atrasados à festa. Queremos dançar com todo mundo. Vamos seguir o nosso relacionamento”, afirmou.

O ministro avaliou que eventos internacionais atingem mais os fluxos de investimento e os preços relativos, citando o nível do dólar frente ao real.

Ele reconheceu que, se o Brasil tivesse avançado mais rapidamente com marcos regulatórios e privatizações, por exemplo, o dólar estaria mais baixo, mais investimentos teriam ingressado e o país poderia estar crescendo um pouco mais rápido.

Guedes pontuou ainda que as relações com países variam com o tempo --umas ajudam e outras atrapalham. Mas voltou a frisar que o Brasil deve se concentrar em promover mudanças internas para conseguir crescer, destacando que, em relação à abertura da economia, a agenda continua.

Nesse sentido, ele afirmou que essa pauta foi atingida pela pandemia de coronavírus e também pelas questionamentos ambientais, num ano em que o Brasil foi duramente criticado na comunidade internacional pela forma como lidou com queimadas e desmatamentos.

Segundo o ministro, há protecionismo de alguns países por trás das ressalvas públicas feitas ao Brasil.

“Se por um lado existe essa preocupação com o meio ambiente lá fora, no exterior, e isso também pode criar problemas para os investimentos externos, você vê também que há uma pauta disfarçada de interesses comerciais”, disse.

“Países que dão subsídios à agricultura e que usam o tema ambiental para esconder a falta de competitividade que eles têm e nos atacam. Por isso é muito importante manter a serenidade e o equilíbrio durante essas negociações, durante essas conversas”, completou.

Nesta tarde, Biden ampliou sua vantagem em Estados-chave para a disputa eleitoral norte-americana, pavimentando seu caminho rumo à Casa Branca.

Em entrevista à Americas Quarterly em março, o democrata chegou a dizer, em relação às queimadas na Amazônia, que o presidente Bolsonaro deveria saber que se o país falhar em preservar adequadamente a floresta, sua administração “reuniria o mundo” para garantir a proteção do meio ambiente.

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