Capacidade de reação da China ao coronavírus não foi surpresa, diz especialista

Elias Jabbour, um dos maiores especialistas sobre a China no Brasil, disse à TV 247 que o poder de combate do país contra o coronavírus tem origem na flexibilidade do Estado. “O que explica isso são as instituições e capacidades estatais construídas ao longo de 40 anos”, afirmou. Assista

Elias Jabbour
Elias Jabbour (Foto: Divulgação | Reuters)
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247 - Geógrafo, sinólogo e um dos maiores especialistas do Brasil quando o assunto é China, Elias Jabbour explicou à TV 247 a razão de tamanha capacidade de reação à pandemia de coronavírus por parte das autoridades chinesas. Segundo Jabbour, “o que explica isso são as instituições e capacidades estatais construídas ao longo de 40 anos”.

Ele disse que o Estado chinês é flexível, e que por isso adapta as instituições às necessidades de cada momento. “Não me impressionei com essa capacidade dos chineses de enfrentar o problema e a rapidez com que controlaram, até porque a China, apesar de ser um Estado milenar, é muito flexível, então eles vão criando instituições ao longo do tempo que vão refletindo as necessidades materiais do país para determinado momento histórico”.

“Fica para o mundo a necessidade de se compreender esse modelo econômico, social e político acima das ideologias de cada um”, recomendou o geógrafo.

Elias Jabbour falou também sobre a construção da independência tecnológica da China e da importância deste fator neste momento. 

“O processo de crescimento e desenvolvimento chinês foi muito complementar, do ponto de vista industrial e tecnológico, aos Estados Unidos e ao Japão por muito tempo. Essa complementaridade acaba nos anos 2000 a 2005, então a China teve que começar a operar, para manter o crescimento econômico e manter níveis elevados de complexidade de sua indústria, a partir de tecnologias próprias, e a partir desse esforço nacional para criar tecnologias novas em seu próximo território, a China não somente alcança os Estados Unidos e Japão em alguns domínios tecnológicos como ultrapassa. Os chineses ultrapassam a fronteira da verdadeira independência nacional, porque um país é independente quando tem capacidade de financiamento e capacidade tecnológica”.

“A China passa a ser uma ameaça direta à hegemonia americana. O fato seguinte são os americanos fazendo o caos, tentando bloquear a China de diversas maneiras, mas têm problemas porque metade do Congresso americano tem negócios na China, não é uma coisa tão fácil bloquear a China. O coronavírus surge em um momento de alta tensão entre os dois países”, completou.

Sobre o Brasil, Jabbour acredita que o País perde uma oportunidade de tirar proveito da guerra comercial entre norte-americanos e chineses. Ele também defendeu que os brasileiros não se alinhem a nenhum dos lados. “O Brasil está perdendo uma oportunidade histórica de aproveitar essa disputa entre China e Estados Unidos para tirar muito proveito disso. Na história do Brasil, desde a Revolução de 30 até hoje, o Brasil sempre tirou vantagem das contradições inter-imperialistas, não que eu ache que China e Estados Unidos sejam uma contradição interimperialista, mas o Brasil sempre se aproveitou dessas oportunidades abertas pela história de bifurcamento de dois países, ele sempre conseguiu se mover nessas contradições internacionais de forma muito virtuosa, e nós perdemos essa capacidade agora”.

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