Covid-19: universidade brasileira desenvolve teste sorológico 20 vezes mais barato

Teste da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) consegue captar anticorpos IgG (de longa duração) produzidos pelo corpo com precisão que chega a 100% após 20 dias do início dos sintomas

Pessoa é testada para coronavírus em Brasília 21/04/2020
Pessoa é testada para coronavírus em Brasília 21/04/2020 (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
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Sputnik - A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveu um teste sorológico para COVID-19 que custa cerca de 20 vezes menos que os testes rápidos disponíveis em farmácias do Brasil.

Os pesquisadores chamaram a metodologia de S-UFRJ. A inovação é resultado de uma parceria entre o Instituto de Biofísica e o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), informou Agência Brasil.

O novo teste sorológico consegue captar anticorpos IgG (de longa duração) produzidos pelo corpo humano com precisão que chega a 100% após 20 dias do início dos sintomas. De acordo com os resultados, o método também é capaz de identificar anticorpos dez dias após os sintomas terem começado, mas a precisão cai para 90%.

Os custos, apesar de teste ser do tipo Elisa (ensaio de imunoabsorção enzimática), ficaram reduzidos já que o procedimento de coleta pode ser realizado com uma gota de sangue retirada da ponta do dedo. Uma das coordenadoras da pesquisa e professora da Coppe, Leda Castilho, explicou o porquê.

"Para tirar sangue da veia, você precisa ter uma estrutura laboratorial, operadores treinados da área da saúde e todo o material estéril, como a seringa e o tubo especial. Depois, tem que ter uma estrutura para separar o soro desse sangue [...] Nossa metodologia tem a coleta a partir de um furinho na ponta do dedo, e a amostra é embebida em um papel filtro, que, no limite, pode ser um filtro de café", disse Leda Castilho em entrevista à Agência Brasil.

O custo dos insumos necessários para o teste não passa de R$ 2, quando considerada a saúde pública e organizações não governamentais com isenções tributárias. Apesar de um pouco maior, o custo baixo também vale para estabelecimentos privados, que conseguirão fazer o teste gastando R$ 5, calcularam os pesquisadores.

O objetivo da pesquisa é fazer com o que o teste sorológico seja mais acessível e também chegue a regiões com menor estrutura laboratorial.

"O que a UFRJ oferece para a sociedade é um teste que pode ser feito na população ribeirinha do Amazonas, no meio do Cerrado ou no interior do sertão nordestino. E um teste que, além da alta confiabilidade e da simplicidade de coleta de amostra e processamento, tem um custo baixíssimo, de pelo menos 20 vezes menos que testes rápidos que têm sido realizados em farmácias e laboratórios do Brasil", concluiu a pesquisadora.

A metodologia para a realização do teste foi publicada cientificamente para ser replicada por institutos de pesquisa, empresas e governos de todo o mundo. Os cientistas optaram por não patentear a tecnologia para tornar o teste mais acessível.

"A gente acha que, num horizonte de pandemia, as plataformas devem ser abertas para qualquer um em qualquer lugar do mundo [...] Isso tem sido feito em todas as áreas e em todo o mundo. Não somos só nós que estamos fazendo isso", concluiu Leda Castilho.

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