Especialistas internacionais depositam confiança na vacina russa contra o coronavírus

Embora alguns países ocidentais tenham expressado reservas sobre a segurança da vacina, já que ela ainda não passou na terceira fase dos testes clínicos, diversos representantes da comunidade médica ao redor do mundo receberam a notícia de forma positiva

A handout photo provided by the Russian Direct Investment Fund (RDIF) shows samples of a vaccine against the coronavirus disease (COVID-19) developed by the Gamaleya Research Institute of Epidemiology and Microbiology, in Moscow, Russia August 6, 2020. Picture taken August 6, 2020.
A handout photo provided by the Russian Direct Investment Fund (RDIF) shows samples of a vaccine against the coronavirus disease (COVID-19) developed by the Gamaleya Research Institute of Epidemiology and Microbiology, in Moscow, Russia August 6, 2020. Picture taken August 6, 2020. (Foto: The Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS)
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Sputnik - A Rússia se tornou o primeiro país do mundo a registrar uma vacina contra Covid-19, batizada de Sputnik V. A vacina foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleya e atualmente está passando pela terceira fase dos testes.

A vacina russa usa dois tipos de adenovírus de humanos com fragmentos do gene do coronavírus em sua composição. Os adenovírus são um grupo de vírus que geralmente causam doenças respiratórias. Eles funcionam como vetores do RNA mensageiro do SARS-CoV-2, estimulando uma resposta imune no organismo dos indivíduos.

Embora alguns países ocidentais tenham expressado reservas sobre a segurança da vacina, já que ela ainda não passou na terceira fase dos testes clínicos, diversos representantes da comunidade médica ao redor do mundo receberam a notícia de forma positiva.

Israel

Segundo Polina Stepensky, chefe do departamento de transplante de medula óssea do hospital Hadassah, em Israel, a tecnologia utilizada na fabricação do medicamento russo é amplamente reconhecida.

"Em primeiro lugar, devemos dizer 'Bravo!' aos cientistas e médicos russos. Entendemos perfeitamente e aprovamos essa tecnologia e essa abordagem científica. Vocês realizaram uma verdadeira ruptura na ciência e na medicina. Estamos agradecidos pelo seu trabalho maravilhoso", disse e médica à agência RIA Novosti.

Nesta sexta-feira (21), o Ministério da Saúde de Israel confirmou ao The Jerusalem Post que negociações estão em curso para realização de testes de terceira fase da vacina russa no país.

China e Índia

A Sputnik V também despertou o interesse de especialistas chineses. Um release publicado pela embaixada da Rússia na China citou a declaração de Zhong Nanshan, diretor do Instituto de Doenças Respiratórias de Guangzhou, que felicitou os cientistas russos pelo trabalho.

"Minha avaliação da vacina contra Covid-19, desenvolvida pelo Centro Gamaleya é de alto nível. Gostaria de parabenizar o seu país pela conclusão do registro estatal do medicamento. A vacina baseada no adenovírus russa é segura e deve completar com sucesso os testes clínicos", disse o médico, citado pela agência RIA Novosti.

O governo da Índia, um dos países mais afetados pelo coronavírus, também está de olho na Sputnik V. O medicamento passa por estudos, juntamente com outras três vacinas desenvolvidas por cientistas indianos. Sputnik Internacional conversou sobre o assunto com Ashwani Mahajan, co-fundador do Centro de Pesquisas de Swadesh.

"Assim que a questão da eficácia for resolvida, o custo será uma questão importante. Eu acredito que, em ambos os quesitos, a vacina russa deve passar no teste", disse o pesquisador.

EUA e Grã Bretanha

Como demonstra a prática, nem todas as vozes no Ocidente são críticas em avaliar o trabalho dos cientistas russos. Segundo Hildegund Ertl, professora titular do Instituto Wistar na Filadélfia, centro norte-americano especializado em doenças infecciosas e pesquisa de vacinas, o medicamento russo é promissor.

"Pelo que tenho visto por aí, eles são provavelmente a plataforma [de pesquisa] mais promissora", disse a cientista para o site Politico.

O especialista britânico, Ian Jones, professor de virologia da Universidade de Reading, em entrevista ao Business Day, também defendeu a tecnologia usada na elaboração da Sputnik V.

"Existem dados gerais suficientes sobre vacinas baseadas em adenovírus recombinantes para assumir que vacina será segura nas doses usuais", concluiu.

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