Estudo: mutações do coronavírus não aumentam transmissão

Apesar das milhares de mutações identificadas, nenhuma está relacionada à transmissibilidade; no entanto, existe a possibilidade de uma nova mutação ocasionar tal, particularmente quando as vacinas forem introduzidas

Primeira foto do novo coronavírus feita com microscópio eletrônico por cientistas chineses
Primeira foto do novo coronavírus feita com microscópio eletrônico por cientistas chineses (Foto: Arquivo Nacional de Microrganismos Patogênicos da China)
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Reuters - O coronavírus está sofrendo mutação à medida que se espalha pelo mundo na pandemia, mas nenhuma das mutações atualmente documentadas parece torná-lo capaz de se proliferar mais rápido, disseram cientistas nesta quarta-feira.

Em um estudo a partir de dados globais de genomas de vírus realizado com 46.723 pessoas com Covid-19 em 99 países, os pesquisadores identificaram mais de 12.700 mutações, ou alterações, no vírus SARS-CoV-2.

“Felizmente, descobrimos que nenhuma dessas mutações está fazendo a Covid-19 se espalhar mais rapidamente”, disse Lucy van Dorp, professora do Instituto de Genética da University College de Londres e uma das co-líderes do estudo.

Ela acrescentou, no entanto, que “precisamos permanecer vigilantes e continuar monitorando novas mutações, particularmente à medida que as vacinas são lançadas”.

Sabe-se que os vírus sofrem mutações o tempo todo e alguns --como os da gripe-- mudam com mais frequência do que outros.

A maioria das mutações é neutra, mas algumas podem ser vantajosas ou prejudiciais aos vírus e algumas podem reduzir a eficácia das vacinas contra eles. Quando os vírus mudam assim, as vacinas devem ser adaptadas regularmente para garantir que estão atingindo o alvo certo.

Com o vírus SARS-CoV-2, as primeiras imunizações a mostrarem eficácia poderiam obter aprovação regulatória e começar a ser usadas para antes do final deste ano.

Entre mais de 12.706 mutações identificadas, cerca de 398 parecem ter ocorrido repetidamente e de forma independente, disseram os pesquisadores no estudo publicado nesta quarta-feira no periódico acadêmico Nature Communications.

Dentre as 398 mutações, os cientistas se concentraram em 185, que eles descobriram ocorrer pelo menos três vezes de forma independente durante o curso da pandemia.

Os pesquisadores não encontraram evidências de que alguma das mutações comuns esteja aumentando a transmissibilidade do vírus. Em vez disso, eles disseram que as mutações mais comuns são neutras para o vírus.

Por Kate Kelland

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