Ministério da Saúde admite que mentiu no Twitter sobre compra de 560 milhões de doses

O Ministério da Saúde admitiu ter divulgado informações equivocadas em peças publicitárias nas redes sociais e na imprensa sobre a contratação de 560 milhões de doses de vacina contra a Covid-19. "Foram contratadas 281.023.470 doses a serem fornecidas pelas instituições públicas e privadas mencionadas acima", disse a pasta comandada por Marcelo Queiroga

Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
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Por Caroline Oliveira, Brasil de Fato | São Paulo (SP) - O Ministério da Saúde divulgou informações equivocadas em peças publicitárias nas redes sociais e nos veículos de imprensa sobre a contratação de 560 milhões de doses de vacina contra a covid-19. Na realidade, a pasta admite agora que comprou apenas metade deste montante.

A informação veio após um requerimento de informação solicitado pelo deputado federal Gustavo Fruet (PDT-PR), por meio do qual pediu a elucidação das informações contidas nas propagandas. "Houve a efetiva compra/negociação de 560 milhões de doses ou apenas o indicativo de intenção de compra?", indagou o deputado Fruet no requerimento.

Em resposta, o ministério informou que os registros mostram que os contratos firmados totalizam 281.023.470, quase 300 milhões de doses a menos do que o informado oficialmente.

Nas propagandas anteriores, a pasta afirmava nas redes sociais que “a luta contra a covid-19 continua: foram compradas mais de 560 milhões de doses de vacinas. Em abril, a previsão é vacinar mais de um milhão de pessoas por dia. Enquanto isso, os cuidados devem continuar. Brasil imunizado. Somos uma só nação. Ministério da Saúde. Governo Federal".

Na resposta ao requerimento do deputado, a pasta chefiada por Marcelo Queiroga também informa que "outras 281.889.400 doses estão em fase de negociação", mas sem acordo de compra estabelecido. 

"Como destacado em sede de resposta, pode-se afirmar que das 572.912.870 doses destinadas para atendimento das ações do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19, já foram contratadas 281.023.470 doses a serem fornecidas pelas instituições públicas e privadas mencionadas acima", corrigem.

De acordo com a pasta, das doses já adquiridas, 100 milhões são da Coronavac, 100 milhões da Pfizer, 38 milhões da Janssen, 20 milhões da Covaxin, 12 milhões da Astrazeneca e 10 milhões da Sputnik V. Das doses que ainda estão em fase de negociação, 210 milhões de doses são de Oxford/Astrazeneca, 30 milhões da Sinovac, 41 milhões por meio do consórcio Covax Facility e 13 milhões da farmacêutica Moderna.

Brasil na busca por excedentes 

Com a quantidade de doses insuficiente para iniciar uma campanha de vacinação em massa e, assim, barrar o avanço da pandemia, agora o Brasil corre atrás dos excedentes de doses de outros países, como Estados Unidos e Reino Unido, que contam com excedentes significativos.

Os EUA têm aproximadamente 60 milhões de doses produzidas pelo laboratório AstraZeneca, mas que ainda não foram destinadas à população local e também não receberam aprovação das autoridades sanitárias estadunidenses. A exportação, inclusive, depende desta aprovação.

De acordo com relatos obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo, até agora o Brasil conseguiu apenas a sinalização de que será considerado na hora da seleção dos destinatários da exportação. "À medida que essas doses estiverem disponíveis, os EUA decidirão os locais para onde elas serão enviadas​", afirmou a embaixada estadunidense em Brasília.

Na última terça-feira (4), o presidente Joe Biden afirmou que até o dia 4 de julho pretende enviar 10% das doses excedentes para outras nações e indicou que o Brasil pode estar na lista.

O mesmo movimento foi feito em relação ao Reino Unido, que nos últimos meses tem sinalizado para a exportação de doses excedentes a iniciativas internacionais como o consórcio Covax Facility, vinculado à Organização Mundial de Saúde (OMS) e que disponibiliza acesso a uma cartela de imunizantes aprovados internacionalmente.

Queiroga também abordou o embaixador da União Europeia, Ignacio Ybáñez, durante um evento da OMS. Na ocasião, o ministro fez um apelo “para aqueles países com doses extras que compartilhem essas vacinas com o Brasil de modo a conter a fase crítica da pandemia e evitar a proliferação de novas variantes".

Vale lembrar que o governo brasileiro recusou 11 ofertas de vacinas desde 2020, sendo seis da Pfizer, três da CoronaVac e duas da Covax Facility.

Eficácia da Pfizer e AstraZeneca

Um estudo realizado pela Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças (KDCA) revelou que a vacina BNT162b2, produzida em parceria entre a farmacêutica estadunidense Pfizer e o laboratório alemão BioNTech, tem uma eficácia de 89,7% contra infecção por covid-19 após duas semanas a aplicação da primeira dose; e a vacina da AstraZeneca, 86%, em pessoas com 60 anos ou mais.

"Está demonstrado que ambas as vacinas fornecem uma alta proteção contra a doença após a primeira dose. As pessoas devem se vacinar de acordo com o cronograma recomendado, pois a taxa de proteção aumentará ainda mais após uma segunda dose", afirmou a agência à Reuters.

Yoon Tae-ho, funcionário do Ministério da Saúde, afirmou em entrevista coletiva nesta quarta-feira (5) que “cerca de 95% das pessoas que morreram de coronavírus em nosso país eram idosos com 60 anos ou mais, e as vacinas reduzirão drasticamente os riscos para essas pessoas". Ele também afirmou que os efeitos colaterais, como a formação de coágulos sanguíneos, são extremamente raros.

Um outro estudo, da revista científica The Lancet, mostrou que as duas doses da vacina Pfizer/BioNtech proporcionam juntas 95% de proteção contra infecção, internação e morte pela doença.

Entre aqueles com mais de 85 anos, o imunizante protege 94,1% da infecção, 96,9% da hospitalização e 97% da morte por covid. Já entre os adultos de 16 a 44 anos, 96,1% de infecção e 100% de morte.

Mais doses e insumos pelo Instituto Butantan 

O Ministério da Saúde recebe nesta quinta-feira (6), pouco mais de 1 milhão de doses da vacina CoronaVac, do Instituto Butantan com a farmacêutica chinesa Sinovac. Desde o primeiro envio, ainda em janeiro deste ano, o Butantan já enviou 42,05 milhões de doses ao Plano Nacional de Imunização (PNI). “Os insumos já foram processados, e as doses começam a ser liberadas a partir desta sexta [7] para completar as 46 milhões de doses do primeiro contrato firmado com o Ministério da Saúde”, diz o Butantan em nota.

O Instituto ainda afirmou que está trabalhando para entregar mais 54 milhões de doses para a vacinação dos brasileiros até o dia 30 de agosto, totalizando 100 milhões de doses. Até o dia 15 de maio, um novo carregamento de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), o insumo necessário para a produção das doses, da China.

Vacinação e pandemia no Brasil 

Até às 20h desta quarta-feira (5), 33.404.333 pessoas receberam a primeira dose de vacina, o que representa 15,77% da população brasileira, segundo o último balanço do consórcio de veículos de imprensa. Já a segunda dose foi aplicada em 17.039.463 pessoas, cerca de 8,05% da população. No total, foram aplicadas 50.443.796 doses.

Paralelamente, o Brasil registrou até às 18h desta quarta, 2.811 mortes por covid em 24 horas, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Desde o início da pandemia, são 414.399 vítimas. Em relação ao número de infectados no mesmo período, foram registrados 73.295 novos casos, totalizando 14.930.183. Neste ritmo, portanto, o país está a um dia de registrar 15 milhões de brasileiros infectados.

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