O SUS não é um sistema para pobres e já sai fortalecido dessa crise, diz especialista

Médica sanitarista Lígia Bahia, uma das maiores especialistas do Brasil em medicina coletiva e sobre o SUS, diz que “não há dúvida de que o SUS é o grande protagonista dessa história toda”. Assista na TV 247

Lígia Bahia
Lígia Bahia (Foto: Twitter | Agência Brasil - EBC)
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247 - A médica sanitarista e uma das maiores especialistas do Brasil em medicina coletiva e sobre o SUS, Lígia Bahia, conversou com a TV 247 sobre a situação do sistema público de saúde em meio à pandemia de coronavírus. Ela disse que a crise sanitária que o Brasil vive ressalta a importância do SUS e mostra a necessidade de se apoiar o sistema.

Lígia Bahia falou também que é preciso desmanchar a ideia de que o sistema público de saúde é para pessoas pobres, mas sim que se trata de um sistema universal. “Agora as pessoas estão gritando na janela ‘viva o SUS’, estão apoiando os profissionais da saúde. O SUS tem esse símbolo positivo de esperança, de futuro, de solidariedade, ele conserva isso. Acho que a gente sai melhor, sinceramente acho que o SUS já está sendo fortalecido e o SUS sai fortalecido. Ao longo do tempo acabou sendo naturalizado que o SUS é para pobres, e o SUS não é um sistema de saúde para pobres. Ou a gente tem um sistema de saúde único, ou a gente tem um sistema de sistema de saúde ruim. Às vezes o SUS é igual Papai Noel, todo mundo gosta, mas ninguém acredita”.

A médica explicou que os repasses de receita pelo governo ao sistema privado de saúde, caso fossem aplicados no SUS, aumentariam a capacidade do sistema para combater a crise do coronavírus. “Infelizmente é muito perverso que a gente tenha um sistema público universal que seria uma potência contra o coronavírus e a gente tem essa situação. A gente poderia estar muito melhor, nós não estamos bem. Por quê? Porque a gente tem muito mais leitos de CTI privados do que públicos. A gente tem 25% que têm plano de saúde e tem muito mais recursos privados para atender 25% das pessoas do que 75% da população que não têm”. 

“Jogar mais recurso público, nesse momento de emergência sanitária, para o setor privado é um sinal de que o SUS não vai sair tão fortalecido quanto poderia. Não há dúvida de que o SUS é o grande protagonista dessa história toda, todos amam o SUS, todos falam do SUS, o SUS virou um querido, e o SUS ter virado um querido é muito importante. Está claro que sem o SUS a gente estaria muito pior, então eu penso que quando a gente sair dessa há uma conta a ser cobrada, e se a gente souber bem cobrar essa conta, se a gente conseguir durante esse tempo fortalecer um pouco o SUS, eu penso que a gente pode sair desse processo e afirmar o SUS. Há uma certa afirmação do valor do SUS para a população, como é importante que nós sejamos iguais”, completou.

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