Queiroga se submete a Bolsonaro e diz que busca saída para flexibilizar uso de máscaras

"Nos países que alcançaram uma cobertura vacinal ampla, já assistimos a uma flexibilização do uso de máscaras", disse ele. Mas este não é o caso do Brasil

Marcelo Queiroga
Marcelo Queiroga (Foto: Reuters/Ueslei Marcelino)
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(Reuters) - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta sexta-feira que estão sendo realizados estudos para se ter "posições sólidas" sobre a possibilidade de flexibilização do uso de máscaras contra Covid-19, conforme havia pedido o presidente Jair Bolsonaro na véspera.

Queiroga chegou a se irritar com repórteres quando afirmava que países avançados na vacinação já estavam fazendo essa flexibilização e foi confrontado com o fato de não ser o caso do Brasil neste momento.

"Países que alcançaram uma cobertura vacinal ampla já assistimos a uma flexibilização do uso de máscaras", disse Queiroga a jornalistas em São Paulo.

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Ao aparte feito por uma repórter de que não é o caso do Brasil, o ministro disse "vai ser o nosso caso".

Como a repórter insistiu não ser o caso do Brasil "hoje", o ministro repetiu mais rispidamente "vai ser o nosso caso". E completou: "e nós estamos estudando para ter posições sólidas e nos anteciparmos em relação a todas as medidas que devem ser colocadas no enfrentamento à pandemia".

Até o momento, segundo dados oficiais, 23,5 milhões de pessoas já foram vacinadas com duas doses de imunizantes contra Covid-19 no país, o que representa apenas 11,2% da população.

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Ao ser lembrado que na manhã desta sexta o presidente disse que a posição final acabaria sendo de prefeitos e governadores, o ministro afirmou: "eu não sou censor da fala do presidente da República".

Na quinta-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que tinha conversado com Queiroga sobre o assunto.

"Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que já estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar esse símbolo, que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado", disse o presidente.

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Após a declaração, o ministro da Saúde divulgou um vídeo curto no qual afirmava que a questão seria estudada pelo ministério.

"Recebi do presidente Bolsonaro hoje uma solicitação para fazer um estudo acerca do uso das máscaras. O presidente está muito satisfeito com o ritmo da campanha de vacinação no Brasil... O presidente acompanha o cenário internacional e vê que, em outros países onde a campanha de vacinação já avançou, as pessoas já estão flexibilizando o uso das máscaras", disse Queiroga no vídeo.

"O presidente me pediu que fizesse um estudo para avaliar a situação aqui no Brasil. Então, vamos atender a essa demanda do presidente Bolsonaro", acrescentou o ministro.

Nesta manhã, o presidente disse que a decisão final sobre máscaras caberia a governadores e prefeitos.

"Ontem pedi para o ministro da Saúde fazer um estudo sobre máscara. Quem já foi infectado e quem já tomou vacina não precisa usar. Mas quem vai decidir é ele, sobre um parecer", afirmou em conversa com cinegrafistas de emissoras de TV na saída do Palácio da Alvorada.

"Se bem que quem decide na ponta da linha é governador e prefeito, eu não apito nada. Segundo o Supremo (Tribunal Federal) quem decide é eles", acrescentou. (Por Alexandre Caverni)

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