Aos 80 anos, Tom Zé lança álbum que fala de sexo

O cantor e compositor Tom Zé completa 80 anos em meio ao lançamento do disco Canções Eróticas de Ninar que, como ele escreve no encarte do álbum, resgata “os assuntos do sexo como eram tratados (ou não) na minha infância e juventude”, abordando também a opressão sofrida pela mulher; “As famílias não falavam nada de sexo. Só vim saber que meu pai transava com a minha mãe aos 16 anos”, contou em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vitta, no programa Hora do Rango, da Rádio Brasil Atual

O cantor e compositor Tom Zé completa 80 anos em meio ao lançamento do disco Canções Eróticas de Ninar que, como ele escreve no encarte do álbum, resgata “os assuntos do sexo como eram tratados (ou não) na minha infância e juventude”, abordando também a opressão sofrida pela mulher; “As famílias não falavam nada de sexo. Só vim saber que meu pai transava com a minha mãe aos 16 anos”, contou em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vitta, no programa Hora do Rango, da Rádio Brasil Atual
O cantor e compositor Tom Zé completa 80 anos em meio ao lançamento do disco Canções Eróticas de Ninar que, como ele escreve no encarte do álbum, resgata “os assuntos do sexo como eram tratados (ou não) na minha infância e juventude”, abordando também a opressão sofrida pela mulher; “As famílias não falavam nada de sexo. Só vim saber que meu pai transava com a minha mãe aos 16 anos”, contou em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vitta, no programa Hora do Rango, da Rádio Brasil Atual (Foto: José Barbacena)

Rede Brasil Atual - O cantor e compositor Tom Zé completa hoje (11) 80 anos em meio ao lançamento do disco Canções Eróticas de Ninar que, como ele escreve no encarte do álbum, resgata “os assuntos do sexo como eram tratados (ou não) na minha infância e juventude”, abordando também a opressão sofrida pela mulher. “As famílias não falavam nada de sexo. Só vim saber que meu pai transava com a minha mãe aos 16 anos”, contou em entrevista a Oswaldo Luiz Colibri Vitta, no programa Hora do Rango, da Rádio Brasil Atual.

“Nós, que fomos crianças na década de 1940, vivíamos em um ambiente no qual as relações humanas eram completamente diferentes. O namorado não podia transar com namorada e as moças eram obrigadas a viver dentro de casa. E onde tem mais repressão é que surgem as coisas mais ousadas”, contou o baiano de Irará, relembrando sua primeira experiência sexual. “Naquela época era comum homem frequentar prostíbulos. Um belo dia um amigo te leva lá e alguém te socorre.”

As 13 faixas que compõem o disco contam, no estilo marcante do artista, sobre o tabu da virgindade feminina e a educação sexual pelo contato com os empregados. O álbum foi lançado no início deste mês no Sesc Pompeia, em São Paulo. No próximo dia 22, o trabalho chega ao Rio de Janeiro, no Circo Voador. “Meu segredo é que eu sempre fui doente e aí eu tive que viver tendo um cuidado danado. Sou precavido na vida.”

“A canção brasileira é uma coisa muito importante na vida da gente”, diz o artista. “A universidade King's College, de Londres, fundou um Centro de Estudos da América Latina com um setor apenas para o Brasil. A principal fonte de estudo desse centro é a canção do Brasil.”

Sobre planos, Tom Zé afirmou que prefere guardá-los para si. “Na Bahia tem um provérbio que diz: ‘Mulher que fala muito perde logo seu amor’. Então, a gente não pode falar dos planos que tem senão esfarela. O segredo provoca uma combustão que é necessária para você ter força para trabalhar”.

Com bom humor, Tom Zé lembrou de momentos marcantes do seu trabalho, inclusive aqueles que não foram bem aceitos em determinados nichos. “Em 1973, fiz o disco Todos os Olhos, que hoje é um sucesso, mas na época me tirou de circulação. Em 1976, fiz Estudando o Samba e também não tive aprovação em lugar nenhum. Em 1989, eu estava me mudando de volta para Irará para trabalhar no posto de gasolina de um sobrinho, quando soube que (o músico norte-americano) David Byrne estava interessado nesse trabalho. Ele veio para cá, conversou comigo e o disco fez muito sucesso na Europa e nos Estados Unidos.”

O compositor se recusa a servir de exemplo para quem pensa em se aposentar e parar de exercer suas atividades profissionais. “Não posso dar recado para quem está se aposentando. As pessoas se aposentam quando querem, quando acham necessário, quando esgota a veia”, diz. “Eu comecei muito tarde na música. A primeira vez que cantei na TV foi em 1960, já tinha uns 24 anos. Foi em um programa de calouros que chamava Escada para o Sucesso e eu apresentei a música Rampa para o Fracasso e encaixou muito bem”, lembra.

“A gente tem que ser compreensivo com a vida de cada pessoa. Às vezes, a pessoa não quer mais fazer, já fez o que tinha que fazer. O Chico Buarque, por exemplo, é admirável, um melodista incrível e agora está escrevendo mais livros. A pessoa pode entrar em outro círculo de interesse, em outra onda.”

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