Bíblia da reportagem

Edson Flosi, um dos pais do jornalismo investigativo, lana seu livro de memrias, Por Trs da Notcia; reportagem de Claudio Julio Tognolli

Bíblia da reportagem
Bíblia da reportagem (Foto: Divulgação)

Claudio Julio Tognolli _247 - Tido e havido como o avô do jornalismo investigativo ora praticado no Brasil, o jornalista e advogado Edson Garcia Flosi, 71 anos, acaba de concluir suas memórias. Que serão lançadas, agora em março, pela Editora Summus, sob o nome de “Por Trás da Notícia”.

O hoje professor da Fundação Cásper Líbero viu, como ninguém, a lubricidade dos crimes mais sanguinolentos do Brasil, privou do íntimo das informações da ditadura (que ele publicava, ao arrepio dos generais). E quando o regime fechou, e nossas línguas o gato comeu, Edson Flosi não parou. Chame a isso, se quiser, da quintessência de um liberticida sem medo, e afinal vitorioso. E esse Flosi continua com o bicho carpinteiro no corpo. Sua obra, “Por trás da notícia”, deixa o leitor sujeito a acessos demolidores de curiosidade, e surtos idem de incompreensão: afinal, por que o ser humano é capaz de tanta barbárie?

Flosi é um comunista de carteirinha. Casado com Nancy, desde 1963, é pai de três filhos: uma é defensora pública, outro um pequeno Bill Gates, a terceira, que também não abjurou da fé em Karl Marx, é jornalista e está em Moçambique. Vermelho até a raiz dos cabelos, mesmo assim doutor Edson acredita em Deus. “Acredito, mas não no Deus religioso, criado pelo homem. Creio em Deus como uma energia e uma força espiritual. Não preciso de religião e nem seguir uma para crer em Deus, pois ele é um problema de fé de cada ser humano, independente da Filosofia, da Teologia e da Ciência”. Logo no começo da entrevista, quer falar sobre humanidade e comunismo. Humanidade: “Há dois tipos de homem: um é o egoista, o individualista, o ganancioso, capaz de tudo para enriquecer, amealhar fortuna, acumular bens materiais; outro é o solidário, o desprendido, o caridoso, capaz de tudo para ajudar o próximo, dividir o que tem, amar a humanidade. Ao primeiro grupo pertence a grande maioria dos homens”. Agora a menina dos seus olhos, a vulgata marxista. “Sou comunista porque o comunismo é o único sistema político e econômico capaz de acabar com a injustiça social, a desigualdade entre os homens, a fome, o desemprego, a miséria, a criminalidade. Se você conhece outro sistema político e econômico capaz de fazer isso eu posso mudar de ideia”.

Quando a ditadura comia solta, sobretudo a partir de 1968, Flosi aprimorou uma técnica marota de avisar aos guerrilheiros urbanos de que eram procurados. Estampava no jornal suas fotos, com a legenda tamanho de pescoços de garrafa de champanhe, gritando “Procurados”. Obvio que a maioria dos insurrectos vermelhos via o jornal e dava no pinote. O estratagema logo foi descoberto pelos homens de verde. Talvez por ser tão assim intimorato, sem medo de nada, Flosi fez-se o jornalista policial mais admirado pelo finado Claudio Abramo. Boa parte de sua vida ele reportou para a Folha de S. Paulo. Até que, em 1990, acometeu-lhe uma síndrome de Teresa Batista Cansada de Guerra. Não alterou um milímetro o seu jeito de ser, só que agora queria ser advogado. O dia D foi uma conversa que travou com o repórter Fausto Macedo, numa praça na zona norte de São Paulo, no começo dos anos 90. “Olhei para o Fausto, ele para mim. Chegamos à conclusão que, das milhares de reportagens, que fizemos contra corruptos, no meu caso por 30 anos, nenhuma havia dado algum resultado. Percebi que, em termos de combate à corrupção, o Brasil era um país falido”.

As passagens da vida de Flosi sempre trazem um cheiro de pólvora no ar. Sua fala é uma metralhadora giratória, e quando a memória lhe depara um caso mais grave, ele parece fazer, com todo o corpo, ma mesura antiga: feita a uma cena que está, naquele momento, desfraldando-se ante os seus olhos, tão verdes quanto as fardas contra as quais ele lutou por 20 anos. “Conheci, por exemplo, dois delegados, hoje mortos, que eram as pessoas mais educadas do planeta. Português corretíssimo, educação de príncipe, cultura de primeira, proibiam que se falasse palavrão em suas casas. Seriam capazes de qualquer coisa para te ajudar. E não é que, mais tarde, descobrimos que eram da turma dos piores algozes e torturadores que este país já teve?” Para Flosi, o ser humano será sempre incompreensível em seus propósitos.

Agora estamos em 1978. Flosi sente-se dramaticamente impotente em tentar descobrir se policiais militares de São Paulo haviam fuzilado, ou não, três menores de idade. Vai até o 39 Distrito Policial, na Vila Gustavo, zona norte de São Paulo. Vê, para seu desaponto, que o boletim de ocorrência está parado, há mais de mês. Arregaça as mangas. Vai para a rua dos supostos fuzilamentos. “Entrevistei quase dez pessoas, aos poucos, que moravam diante da cena das mortes. Ninguém tinha visto nada, diziam. Com muito custo cheguei a um morador que era oficial de justiça. Ele começou a descrever como os três meninos haviam sido fuzilados. Disse-me que um deles guinchava como um porco sendo abatido por uma faca. Pedi para ele me descrever o guincho do menino. Ele levantou a voz no meio da rua. Pedi para ele ser preciso, melhorar o grito. Ele disparou então sua versão do guincho assim: “Hiiiiiiiiiiiiii, Hiiiiiiiiiiiiiii, Hiiiiiiiiiiiiiiii”.

Mesmo sendo um agnóstico de carteirinha, Flosi, que ainda se depara com cenas nada fáceis, como advogado criminalista, gosta de professar um Deus, que lhe protege, irreparavelmente, desse atascal de sangue derramado. “Se deus não existisse, precisava ser inventado. Sem Deus não há moral, esperança, nem Jean Paul Sartre, nem Marx”.

Trechos do livro de Edson Flosi

1 - O assassinato dos Kubitzky- Julho de 1969

“Para matar Hermann Paul, Arthur Moritz e Erma Érica, os bandidos levaram uns cinco minutos, tempo que eles calcularam ao depor na Delegacia de Polícia de São José dos Campos. Frida Elsa foi quem viveu mais. Seus irmãos já estavam mortos e ela suplicava a Luís Carlos de Faria que, pelo menos, a sua vida fosse poupada. Disse ao bandido que lhe daria todo o dinheiro que tinha em troca da vida.

Os bandidos começaram a procurar valores pela casa toda. Reviraram os onze cômodos, abriram gavetas, armários, portas. Frida Elza os seguia dizendo que podiam levar tudo o que quisessem e pedindo para não morrer. Ela ficou quase uma hora nas mãos dos assaltantes. Não gritava, provavelmente porque sabia que isso lhe custaria a vida e não adiantaria nada, pois seus gritos, na chácara isolada, dificilmente seriam ouvidos por alguém.

Finalmente, os bandidos propuseram poupar a vida de Frida Elsa em troca do dinheiro que ela tinha em casa. Ela chegou a agradecer aos assaltantes. Foi para o seu quarto, com as mãos no rosto, certamente para não ver os irmãos mortos.

No seu quarto — o mesmo onde Erma Érica jazia morta numa cama (as duas dormiam no mesmo quarto) — Frida Elsa pegou um pacote com 700 cruzeiros novos de cima de um guarda-roupa e entregou-o aos ladrões. Estes pediram mais e ela explicou que só tinha aquele dinheiro em casa.

Já com o dinheiro nas mãos, os bandidos decidiram matar Frida Elsa, que estava num canto do quarto, espremida entre uma parede e o guarda-roupa. Os bandidos afirmaram que iam matá-la para que ela não os reconhecesse depois. Frida Elsa encolheu-se naquele canto de parede, num gesto de pavor e de defesa, com os cotovelos colados ao corpo e as mãos cobrindo a cabeça. Pedia pelo amor de Deus para não morrer, pedia baixinho, chorando, quase sem forças, segundo declarações de um dos criminosos. Nenhum dos bandidos pensou ou interferiu para poupar a sua vida. Todos concordaram quando LBM procurou o ouvido da mulher, com o cano do revólver, para disparar. A bala do Taurus 32 entrou atrás da orelha e Frida Elsa morreu em poucos instantes. Os bandidos fugiram levando o produto do roubo: 700 cruzeiros novos, uma garrucha 380, um relógio de Hermann Paul, uma correntinha de ouro com um crucifixo, que arrancaram do pescoço de Frida Elsa, e um relógio de mulher. No quintal, os três se juntaram a AB, que vigiava. Todos fugiram por onde haviam chegado: os fundos da chácara. LBM, o único que usava luvas, deixou cair uma das suas luvas pretas na fuga; a Polícia encontrou esta peça no dia seguinte”

CASO DOIS - Agosto de 1968

Polícia diz: ladrões são guerrilheiros

A Polícia trabalhou durante todo o dia de ontem, mas não conseguiu pistas para esclarecer o assalto ao trem-pagador, em que a Quadrilha da Metralhadora roubou 110 mil cruzeiros novos, sábado, às sete horas da manhã, a 500 metros da Estação de Pirituba, na Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ). A razão do insucesso das autoridades é a mesma das outras sete vezes em que a Quadrilha da Metralhadora atacou em São Paulo: os bandidos agiram com rapidez, precisão, sangue-frio e não deixaram pistas.

A 33ª Delegacia de Polícia, a Chefia da Zona Oeste, o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), a Polícia Federal e os Serviços Secretos das Forças Armadas investigam o assalto.

As autoridades têm suspeitos, mas as opiniões estão divididas: alguns acham que os ladrões são terroristas ou guerrilheiros; outros que são simplesmente bandidos. Mas ninguém sabe quem são.

As vítimas do assalto ao trem-pagador não reconheceram, ontem, fotografias de oito suspeitos, entre eles Tarzan de Castro, que registra várias passagens pelo Dops. As fotografias são de comunistas brasileiros integrantes de um grupo que há dois anos viajou para a China e Cuba para estudar tática de guerrilha. Foram obtidas dos passaportes dos suspeitos, em Karachi, no Paquistão.

Testemunhas de assaltos anteriores da Quadrilha da Metralhadora reconheceram quatro dos oito homens que aparecem nas fotografias. O delegado do Dops que investiga o assalto ao trem-pagador explica por que, a seu ver, as vítimas de ontem não reconheceram ninguém:

— Esse bando tem muitos integrantes e possivelmente não são sempre os mesmos que participam de cada assalto.

Os policiais da 33ª Delegacia de Polícia, da Chefia da Zona Oeste e do Dops, que investigam o assalto, têm as fotografias dos suspeitos. Um deles se parece com Pedro Paulo Gutierrez, que por algum tempo foi considerado chefe do bando. Pedro Paulo Gutierrez, porém, foi preso e provou que é inocente.

O delegado Benedito José Pacheco, da Delegacia de Roubos, investigou o assalto ao trem-pagador nas trinta horas que se seguiram ao fato. Foi para casa ontem, ao meio-dia, satisfeito com o resultado de seu trabalho — que não revelou a ninguém. O delegado acredita que bandidos comuns sejam os autores do roubo.

Quanto ao delegado Ruy de Abreu Leme, da 33ª Delegacia de Polícia, ele tem pistas para seguir a partir dos depoimentos das quatro vítimas do assalto, mas mantém esses depoimentos em sigilo.

Além das vítimas, o delegado Ruy de Abreu Leme relacionou quatro testemunhas do assalto, provavelmente passageiros do trem, que pretende ouvir nas próximas horas.

O delegado Ruy de Abreu Leme fala de um segredo. Ele não conta o segredo, mas afirma: “Há dois dias ocorreu um fato que me chamou a atenção. Eu o estou ligando ao assalto do trem. Acho que isso pode dar em uma boa pista.”

O delegado também considera importante o depoimento de Samuel Soares Mota, de 23 anos, rondante da EFSJ. Ele estava próximo à Casa de Conserva da ferrovia, perto da Estação de Pirituba, quando o assalto aconteceu. Ouviu o ruído dos freios de emergência e viu o trem parar. Depois, viu os cinco assaltantes andando pelo leito da ferrovia, até subirem um barranco de terra para, finalmente, fugirem em dois Volkswagen. O rondante estava longe, cerca de 300 metros, e não observou detalhes.

Há duas semanas, Samuel Soares Mota viu quatro ou cinco homens examinando o trecho da linha do trem próximo ao local do assalto. Pensou que fossem fiscais da EFSJ e não lhes deu importância. Desta vez também estava à distância e não pôde ver os rostos dos desconhecidos. A Polícia admite que os homens que ele viu possam ser os assaltantes — ou gente da quadrilha — fazendo levantamento.

Uma das preocupações da Polícia é estabelecer em que estação os assaltantes subiram no trem, que saiu da Estação da Luz e parou na Estação da Lapa, antes do assalto.

Essa informação, segundo um funcionário da ferrovia, pode estar no depoimento de Vicêncio Fragnitto, uma das vítimas do roubo. Vicêncio Fragnitto é condutor do trem e um de seus trabalhos é picotar passagens. Ele não viu ninguém parecido com o assaltante de bigode (que segurava a metralhadora) no trajeto entre as estações da Luz e da Lapa. A informação reforça as suspeitas da Polícia de que os ladrões tomaram o trem na Estação da Lapa.

Outra preocupação das autoridades: por que os assaltantes escolheram Pirituba para atacar? A linha do trem e a av. Felipe Pinel (antiga Estrada do Jaraguá) se aproximam em

vários trechos entre Pirituba e Jaraguá, onde o trem passa sobre aquela avenida, por cima de um pontilhão.

Em qualquer daqueles trechos, os bandidos poderiam parar o trem e correr para os dois Volkswagen, que os aguardavam na avenida. Alguns policiais têm respostas como esta:

— Do ponto em que os assaltantes subiram nos carros até o viaduto de Pirituba tem menos de um quilômetro. E do viaduto eles podem ter fugido para muitos bairros que levam ao centro da cidade. Se atacassem perto do Jaraguá, por exemplo, só teriam como via de fuga a av. Felipe Pinel.

Caso 3 - Outubro de 1976

Conversando com os meninos assassinos

Os dois são iguais. Nasceram pobres e viveram miseravelmente. Um tem a idade do outro: 16 anos. Cada um matou um homem. Os dois cresceram sem pai, sem escola, sem nada. Eles não são irmãos. São apenas iguais. O carcereiro da Delegacia de Polícia da Vila Guarani é um homem alto e gordo.

Ele abre a porta de ferro do xadrez, aperta os olhos para ver no escuro e grita:

— Onde é que você está, Didi? Apareça, rapaz. Tem um repórter aqui. Quer falar com você.

O corpo do carcereiro é quase do tamanho da porta de ferro. Ele está no meio do caminho, mas, mesmo assim, dá para ver um pouco lá dentro: um xadrez pequeno, escuro, o chão de cimento, uns oito ou nove presos.

Didi aparece. É negro. Pouco mais de um metro e meio de altura. A calça rancheira, a camisa de malha, o sapato sujo de barro. Perto do carcereiro, que o segura pelo braço, Didi parece menor ainda. O carcereiro grita de novo:

— Você também, Nenê, saia daí, o repórter quer falar com os dois.

Nenê é igual a Didi. O mesmo corpo, a calça rancheira, a camisa de malha, o sapato sujo de barro, a cabeça baixa. Só uma diferença: Nenê é mais claro. Ele não é negro,

nem branco, nem amarelo. Ele é marrom. Tem gente que tem essa cor.

Os dois já mataram, a tiros de revólver, a sangue-frio. Nasceram e vivem até hoje na parte mais pobre de Vila Constança, um bairro operário, lá no fim da Zona Sul, perto de Diadema.

Há duas semanas, Didi matou, na Cidade Ademar. Ele havia vendido maconha a Onofre da Silva, de 24 anos, viciado em tóxico. Cinqüenta cruzeiros, o preço da droga e o motivo do crime. Onofre da Silva não pagou. Didi deu três tiros nele, um na cabeça, dois no

peito. O revólver, de marca Taurus e cano longo, calibre 38, ele havia roubado de um soldado da Polícia Militar, de madrugada, na porta de um baile. Estavam em cinco, tinham armas, cercaram o soldado, Didi pegou o Taurus de cano longo, enfiou na cinta. O revólver era muito grande para ele. Destoava.

Quando Didi tinha oito anos, seu pai, que era pedreiro e bebia muito, deu uma surra na sua mãe. Ele lembra bem como isso aconteceu:

— Minha mãe correu para o quintal, meu pai atrás dela, com um pedaço de pau na mão. Era um pedaço de pau ou era uma tábua. Ele bateu muito na minha mãe, saiu sangue da cabeça, do braço.

Depois disso, o pedreiro que bebia muito foi embora, Didi nunca mais viu o pai.

Ele foi crescendo, junto com a mãe, numa casa de quarto e cozinha, na Vila Constança. Seus quatro irmãos — dois homens e duas mulheres — também foram crescendo. Depois, a família se espalhou, cada um foi para um lado, um dos irmãos de Didi cumpre longa pena na Penitenciária do Estado por crime de roubo.

Didi, que nunca estudou, fala muita gíria. Nunca trabalhou. Assaltou casas, roubou jóias, já teve uns quatro ou cinco revólveres diferentes, todos roubados. Uma vez ele encostou o cano do revólver na barriga de um homem muito forte e não deu certo.

— Ele era mais forte do que ele — Didi aponta para o carcereiro — mas eu estava muito sem dinheiro, não tinha outro jeito, precisava arriscar. Não dava nem para olhar o rosto do homem, a minha cabeça batia na barriga dele, levei um bofetão, a arma voou longe, eu caí sentado. O homem nem ligou. Foi embora como se nada tivesse acontecido.

Henrivaldo Mello é investigador há 14 anos. Foi ele quem prendeu Didi. No início da carreira, trabalhava na Delegacia de Vadiagem, sua missão era prender batedores de carteira. Corria muito, até alcançá-los, pelas ruas do centro da cidade.

Era magro e rápido, como é até hoje, e porque corria muito os colegas o apelidaram de Coelho. Carrega o apelido nas costas e quase ninguém o conhece pelo nome verdadeiro. “Este tipo de apelido, que se confunde com nome próprio, é o pior de todos” —diz o policial. Agora, ele conta como prendeu Didi:

— Foi num bar, lá na Vila Constança, sábado à noite. Ele bebia uma cerveja. O revólver era maior que o dono. Não reagiu. Parecia uma criança assustada. Entregou a arma e começou a chorar.

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