Bolsonaro não adere aos livros nem para reduzir pena
Bolsonaro não adere aos livros nem para reduzir pena, apesar de autorização do STF para remição por leitura durante cumprimento da sentença
247 - Jair Bolsonaro (PL), que já declarou não ter o hábito de ler, não aderiu à possibilidade de remição de pena por meio da leitura, mesmo após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o site Amado Mundo.
A medida foi autorizada em 15 de janeiro e permitiria a Bolsonaro abater dias de sua sentença a partir da leitura de livros. No entanto, os relatórios semanais enviados pela Polícia Militar do Distrito Federal ao ministro do STF indicam que Bolsonaro não realizou atividades de leitura no período analisado.
Desde a autorização, a PM do Distrito Federal encaminhou doze relatórios sobre as atividades de Bolsonaro enquanto cumpre pena. Em todos os documentos, o campo destinado às leituras aparece preenchido com a mesma informação: “não houve”.
O registro chama atenção porque Bolsonaro nunca escondeu a falta de familiaridade com os livros. Ao longo de sua trajetória pública, ele afirmou mais de uma vez que não tinha tempo para ler, postura que não se alterou nem diante da possibilidade concreta de reduzir a pena.
A situação contrasta com a de outros condenados pela trama golpista, que passaram a utilizar a leitura como forma de remição. Entre eles está o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que leu “A metamorfose”, obra clássica de Franz Kafka.
Também citado nos relatórios, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira escolheu livros de autores brasileiros. Entre as obras lidas por ele estão “Vidas secas” e “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, além de “Reminiscências da campanha do Paraguai”, de Dionísio Cerqueira.
O ex-comandante da Marinha Almir Garnier também aparece entre os condenados que aderiram à leitura. Segundo o levantamento mencionado, ele leu títulos como “A bordo do contratorpedeiro Barbacena”, de João Carlos Gonçalves Caminha, “Como Deus transforma a tristeza em alegria” e “O agir invisível de Deus”, ambos do pastor Luciano Subirá, além de “O vinho novo é melhor”, de Robert Thom.
A possibilidade de reduzir a pena por meio da leitura é um mecanismo aplicado no sistema prisional brasileiro e depende do cumprimento de critérios formais, entre eles a comprovação da atividade realizada. No caso de Bolsonaro, os registros enviados até agora indicam que ele ainda não utilizou esse recurso, apesar da autorização concedida pelo STF.



