Caio Blat: a censura na arte voltou pior que na ditadura de 64

Em audiência da classe artística com a ministra do STF Cármen Lúcia, o ator Caio Blat afirmou que na Ditadura Militar (1964-1985) a censura "era institucional e agora o que se está fazendo é limpeza ideológica, velada, tentando excluir os mais fracos, tentando excluir a diversidade”. O músico Caetano Veloso também esteve presente no debate

O ator Caio Blat e Jair Bolsonaro
O ator Caio Blat e Jair Bolsonaro (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF | Marcos Corrêa/PR)

247 - A classe artística teve nesta segunda-feira (4) uma audiência com a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, após a Rede Sustentabilidade convocar a audiênca contra o decreto presidencial que muda a estrutura do Conselho Superior do Cinema e o transfere para a Casa Civil. Um dos participantes da audiência, o ator Caio Blat afirmou que a censura “já está de volta, instalada nesse País, de forma imunda, de forma disfarçada”. 

“O que acontece é que a censura voltou pior que 64 e 68. Ela era institucional e agora o que se está fazendo é limpeza ideológica, velada, tentando excluir os mais fracos, tentando excluir a diversidade”, disse.

“Estamos sabendo diariamente de peças sendo canceladas porque o governo brasileiro exerce o fomento da cultura por meio de estatais e estamos sabendo todos os dias de cancelamento de peças. Peças publicitárias canceladas porque mostravam a diversidade sexual do País”, criticou.

O músico Caetano Veloso, que estava na audiência, também criticou a política do governo Bolsonaro para a área de cultura.

“O governo dirá que não proíbe arte, que não está prendendo ou interrogando autores, que artistas são perfeitamente livres para expressarem suas ideias, sua sexualidade, suas religiões. Não existe mais um departamento de censura, não existe mais o cargo de censor, que o estado não pretende impedir a difusão de obra alguma”, afirmou Veloso.

A ministra do STF Cármen Lúcia afirmou que “censura não se debate, censura se combate, porque censura é manifestação de ausência de liberdades”. “E democracia não a tolera. Por isso a Constituição do Brasil é expressa ao vedar qualquer forma de censura”, disse.

“Não estamos aqui para debater a censura, mas para ouvir os especialistas sobre normas que podem levar a limites que podem chegar a ser o que a Constituição Federal proíbe e que será objeto de um julgamento técnico-jurídico pelos onze ministros desta Casa”, complementou.


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