Conde: Frias encara a democracia, mas é um militarista enrustido

"Otávio Frias Filho faz um editorial surpreendente hoje. O herdeiro da Folha parece ter capitulado ideologicamente (mas é claro que se trata de business)", diz o linguista Gustavo Conde, que é também colunista do 247

Gustavo Conde
Gustavo Conde (Foto: Leonardo Attuch)

Por Gustavo Conde, em seu facebook Otávio Frias Filho faz um editorial surpreendente hoje. O herdeiro da Folha parece ter capitulado ideologicamente (mas é claro que se trata de business).

Ele pede democracia, aponta corrupção nos regimes militares, afirma que a pobreza cresceu sob a industrialização mal planejada, faz uma retrospectiva um tanto quanto simplista do período republicano do país (mas, surpreendentemente, legível) e admite que a corrupção foi pouco investigada no passado.

É quase o mesmo discurso dos quadros mais técnicos do PT, tudo amarradinho e delicadamente persuasivo.

Frias continua com sua mania terrível de citar gente importante para dar credibilidade ao próprio texto. Hoje foi o dia de Claus von Clausewitz (um militar, meu Deus!).

O general prussiano é invocado para dar uma suave e branda legitimidade às ditaduras. Pobre Frias, nem se dará conta do ato falho - a menos que seu analista proponha algum tipo de elaboração simbólica no decorrer da semana.

Dói neste escriba, no entanto, ter que chamar atenção para outro defeito fundamental daquele que talvez seja o melhor texto que o esforçado publisher já produziu.

Ao criticar a intervenção militar como solução para países 'sem governo', Frias relativiza o fenômeno e o justifica a posteriori. É a armadilha do pressuposto. Ele diz: hoje, não caberia uma intervenção. 'Hoje', caros leitores.

Ele parece se lamentar desta terrível constatação. Pudera. Para um militarista enrustido não deve ser fácil encarar a democracia.

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