É dia de saudar o Frevo

Com orgulho, espera da semana mais amada do ano, o folio pernambucano homenageia, hoje, em seu dia oficial, o ritmo e toda a sua importncia para a histria e cultura do Estado

É dia de saudar o Frevo
É dia de saudar o Frevo (Foto: Mariana Guerra/JC Imagem/AE)

Beatriz Braga _PE247 - “Vem, vamos dançar ao sol”, o frevo de Chico Buarque começa devagar, convidativo, até anunciar que “nunca se viu tanta beleza, ai meu Deus, que lindo o meu Brasil”. Então, acelera de forma louca e vibrante e, pronto, não há quem resista ao toque do ritmo, que é espelho do Carnaval e da alegria, em seu estado mais puro. Apesar de o frevo ser apreciado pelos cantores e foliões de todo o País, o mérito é de Pernambuco, onde o ritmo e o seu passo nasceram simbióticos, espontâneos e, ousados, tornaram-se a identidade do povo que hoje (8), no seu dia oficial, enche o peito de orgulho para entoar os frevos que marcaram gerações.

“O frevo não é música que convida, mas arrasta”, disse o recifense Waldemar de Oliveira, provavelmente fazendo referência à misteriosa força que dá alegria em levantar, descer, repetir o passo e subir às ladeiras de Olinda, no meio da multidão, debaixo do sol escaldante, sem medir esforços. Afinal, nenhum outro ritmo deve ter o irrefreável poder de inebriar e, ao mesmo tempo, traduzir tão bem o cidadão pernambucano: uma mistura da revolução com o pulso da folia carnavalesca, feliz, intensa e colorida.

Frevo vem de ferver. E, sendo assim, o ritmo colocou efervescência nos setores sociais, econômicos e musicais de Pernambuco. Primeiro, porque foi um meio das esferas populares da sociedade de se encontrar artisticamente, segundo, por ter se tornado um dos maiores cartões portais da sua terra natal e, enfim, pela irreverência da sua musicalidade. O frevo nasceu da capoeira, juntou-se a outro ritmos nordestinos e sofreu, como talvez apenas o choro tenha feito, uma forte e crescente sofisticação técnica, estética e de produção.

Avassalador, o frevo atingiu todas as idades e classes, de uma maneira tão íntima do pernambucano, que o verbo frevar é nosso e não existe, tão perfeitamente, em outro vocabulário que não o “pernambucanês”. Assim como o Carnaval das ladeiras, do Alto da Sé, das tapioqueiras de Olinda e da ansiedade de todos os anos pela semana exclusiva do frevo e da alegria que não se vê em nenhum outro lugar e que nenhum outro ritmo cantar tão propriamente: o Carnaval de Pernambuco.

Confira a programação em celebração ao Dia do Frevo

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